Quarta-feira, 07 de Outubro de 2026 às 14:27
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Mulheres na Política: Bancada Feminina Histórica no Congresso Nacional Aumenta, Mas Equidade e Representatividade Negra Enfrentam Desafios

A bancada feminina na Câmara dos Deputados e no Senado Federal será a maior da história, com crescimento de 21% na Câmara e maior número de senadoras desde a redemocratização.

O cenário político brasileiro testemunha um marco histórico com o expressivo aumento do número de mulheres eleitas para o Congresso Nacional. A bancada feminina na Câmara dos Deputados e no Senado Federal alcançará sua **maior representação da história**, refletindo um avanço significativo na participação feminina na política.

Na Câmara, o número de mulheres eleitas saltou de 90 para 109, representando um crescimento de 21%. Este resultado é notável, ocorrendo mesmo diante de uma diminuição no número total de candidatas, que caiu de 3.317 em 2022 para 2.820 em 2026, uma queda de 24%. Para o Senado Federal, foram eleitas doze mulheres entre as 54 vagas em disputa, o maior contingente desde a redemocratização do país.

Apesar desses avanços, a representatividade feminina ainda está longe de alcançar a paridade. Conforme informação divulgada pelas fontes, as mulheres seguem como minoria nas duas Casas Legislativas. Na Câmara, a bancada feminina representará 21% dos 513 deputados na próxima legislatura, enquanto no Senado, o número de senadoras passará dos atuais quinze para dezoito, atingindo 22,2% das 81 cadeiras.

Aumento na Câmara e Senado: Um Novo Capítulo na Representação Feminina

O Congresso Nacional se prepara para receber um número recorde de parlamentares mulheres. Na Câmara dos Deputados, a bancada feminina **cresceu para 109 integrantes**, um aumento de 21% em relação à legislatura anterior. Este feito é celebrado como um passo importante para a maior inclusão das mulheres na política brasileira.

No Senado Federal, a renovação trouxe também um aumento expressivo. Doze mulheres foram eleitas para as 54 vagas em disputa, elevando o total de senadoras para dezoito a partir de fevereiro, quando tomarão posse para mandatos até 2035. Este é o **maior número de senadoras eleitas desde a redemocratização**, superando as oito eleitas em 2018.

Desafios da Equidade e a Diversidade de Perspectivas

Apesar do crescimento numérico, a professora de Ciência Política da Universidade de Brasília, Flávia Biroli, ressalta que o aumento de mulheres eleitas **não se traduz automaticamente em políticas voltadas para as mulheres**. Segundo ela, a diversidade de pensamento entre as parlamentares é grande, e algumas podem defender perspectivas que não promovem a igualdade.

Biroli exemplifica que “você pode ter mulheres eleitas representando visões econômicas que são prejudiciais para a grande maioria das mulheres”. Ela cita como exemplo a senadora Bia Kicis, que votou contra a lei de igualdade salarial entre mulheres e homens, ilustrando a complexidade da representatividade feminina.

Mulheres Negras: Avanços na Câmara, Retrocesso no Senado

Um dado relevante é o **aumento na eleição de mulheres negras para a Câmara dos Deputados**. Um levantamento da Organização Mulheres Negras Decidem contabilizou a eleição de ao menos 15 mulheres negras para o cargo de deputada federal em 2026, um crescimento de 66,6% em comparação com 2022, quando foram eleitas 9 deputadas negras.

Tainah Pereira, coordenadora política da organização, celebra o avanço e destaca que “a imensa maioria dessas mulheres negras que estão hoje na Câmara e que se elegeram para a próxima legislatura são mulheres jovens”. Ela expressa otimismo quanto à atuação dessas novas lideranças.

No entanto, o cenário no Senado Federal apresentou um retrocesso. Das doze senadoras eleitas, **nenhuma é negra**. A senadora Eliziane Gama (PT), autodeclarada negra e atual senadora pelo Maranhão, não foi reeleita. Outras duas candidatas negras, Mariana Silva (Rede) e Benedita da Silva (PT), também não obtiveram êxito em suas campanhas, evidenciando a dificuldade de representatividade negra na Casa.

Distrito Federal se destaca, Piauí ainda não elegeu senadora negra

O Distrito Federal se destaca ao eleger duas mulheres para o Senado, somando-se à representante já existente, tornando-se a única unidade da Federação com três senadoras mulheres. Em contrapartida, o Piauí permanece como o único estado que **nunca elegeu uma mulher senadora**.

O aumento na quantidade de parlamentares eleitas é um passo crucial, mas a luta por **equidade de gênero e representatividade de grupos minoritários**, como as mulheres negras, continua sendo um desafio central para a consolidação de uma democracia verdadeiramente inclusiva no Brasil.

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