Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026 às 12:34
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Movimento Vovó Vota: Idosas de 70+ Buscam Consciência Cidadã e Combatem Abstenção Eleitoral com Orgulho

Vovó Vota: A Força da Experiência Eleitoral na Luta por Direitos e Democracia

No cenário eleitoral brasileiro, um movimento singular tem ganhado força: o **Vovó Vota**. Iniciado por mulheres com mais de 70 anos, a iniciativa visa combater a alta taxa de abstenção nesta faixa etária, onde o voto é facultativo. A proposta é clara: resgatar o orgulho e a consciência cidadã, incentivando a participação ativa na escolha de representantes.

A mobilização parte de exemplos inspiradores como o de Maria Alaídes Alves de Souza, uma quebradeira de coco de 71 anos, que, mesmo diante de desafios logísticos, faz questão de exercer seu direito ao voto e incentivar outras idosas a fazerem o mesmo. Sua atuação em comunidades rurais do Maranhão demonstra a relevância da participação popular na conquista de direitos e políticas públicas.

O movimento Voto 70+, que impulsiona a campanha Vovó Vota, divulga dados animadores: a abstenção de eleitores com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o percentual de eleitores nessa faixa etária que não votaram passou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026, conforme levantamento do movimento. Essa redução evidencia o impacto positivo das ações de conscientização.

A Importância do Voto para as Gerações Experientes

Maria Alaídes, com sua vasta experiência de vida, enfatiza que o voto é um ato de orgulho e um instrumento fundamental para a **manutenção de direitos e para a democracia**. Ela, que é líder de um movimento interestadual de quebradeiras de coco, defende que a participação popular é a chave para garantir políticas públicas que atendam às necessidades da população, como o enfrentamento das mudanças climáticas, que afetam diretamente sua atividade.

A quebradeira de coco, que tem sete filhos e sete netos, busca motivar outras mulheres em cinco comunidades da região, explicando a importância de registrar o voto e de não desanimar. Sua dedicação em percorrer distâncias maiores para conscientizar outras avós e trabalhadoras reflete um profundo senso de responsabilidade cívica. O movimento Voto 70+ busca aproximar netas e avós, reforçando a ideia de que cada voto conta.

Superando Barreiras e Medos: A Força da Cidadania Ativa

Histórias como a de Maria Albino Costa, de 85 anos, em Goiás, ilustram as dificuldades enfrentadas, mas também a determinação em participar. Ela não votou no primeiro turno por achar complexo, mas decidiu ir no segundo, focando apenas na eleição presidencial, com o apoio de sua filha e neta. Para ela, é uma questão de garantir direitos e de ser um exemplo para sua grande família, composta por sete filhos, 22 netos, seis bisnetos e um tataraneto.

Maria Albino Costa, que já morou na roça, foi merendeira e empregada doméstica, relata que passou muito tempo sem poder votar durante a ditadura militar (1964-1985). Essa memória a impulsiona a não faltar às eleições. Sua filha, Sandra Oliveira, professora, sente orgulho da trajetória da mãe e a cita em suas aulas, combatendo manifestações machistas contra o voto feminino.

Em Olinda (PE), a professora aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, deixou de votar por 12 anos, mas decidiu participar do segundo turno. Ela relata ter sentido medo devido ao acirramento emocional e às agressões presenciadas nas ruas. Apesar de ter perdido o título eleitoral, baixou o aplicativo e-título e pretende voltar a ter os comprovantes eleitorais, valorizando a cidadania.

Garantindo Direitos e Representatividade

Francisca Barroso Monteiro, de 84 anos, no Maranhão, entende que o direito à cidadania possibilitou que ela lutasse para que seus 10 filhos estudassem, algo que ela não teve oportunidade. Ela espera que a eleição garanta representantes comprometidos com o bem-estar de crianças e idosos, garantindo o acesso a medicamentos e alimentos.

No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, enfrentou longas filas no primeiro turno, um desafio para idosos. Em São Paulo, Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, precisou subir escadas em seu local de votação. O TSE determina atendimento prioritário para idosos e medidas de acessibilidade, mas a realidade ainda apresenta desafios.

Beatriz contou com a ajuda do filho para votar, priorizando candidatos com propostas claras nas áreas de saúde e educação. Ela ressalta a importância de eleitos atuantes e comprometidos com a população. Memórias de tempos sem voto, como as da aposentada carioca Suely Mendonça, de 79 anos, que participou das Diretas Já, reforçam a emoção de se sentir participante da vida do país e de lutar por um futuro democrático.

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