Segunda-feira, 12 de Outubro de 2026 às 11:37
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Meta alega “problemas técnicos” após campanha de Lula denunciar menor alcance nas redes sociais e suspeitar de interferência eleitoral

Meta, Facebook e Instagram sob escrutínio: campanha de Lula acusa “problemas técnicos” e suspeita de interferência eleitoral

A Meta, gigante por trás de plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, admitiu a ocorrência de “problemas técnicos” que teriam impactado o alcance de publicações relacionadas à campanha do candidato presidencial Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em contrapartida, a empresa sediada nos Estados Unidos refuta as alegações da campanha petista de que estaria favorecendo postagens do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais. A Meta assegura que cumpre rigorosamente as normas eleitorais e preza pela isonomia no uso de suas plataformas.

Diante das fortes suspeitas de interferência no processo eleitoral brasileiro, a campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A disputa agora se intensifica nos bastidores e nos órgãos fiscalizadores.

Campanha de Lula contesta explicação da Meta e busca provar interferência

A campanha de Lula expressou ceticismo quanto à justificativa de “problemas técnicos” apresentada pela Meta. Em comunicado, a equipe do PT questiona a falta de evidências concretas por parte da empresa, que alega que a “falha” afetou outros anunciantes e mercados globalmente, mas não apresentou provas disso.

A campanha petista ressalta que a Meta não demonstrou que o problema técnico tenha impactado outros candidatos no Brasil, reforçando a suspeita de um direcionamento específico. A repetição da justificativa de “problema técnico” pela empresa levanta ainda mais questionamentos.

Um levantamento divulgado pela Secretaria Nacional de Comunicação do PT aponta uma disparidade significativa: a página do senador Flávio Bolsonaro apresentava, em média, 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, mesmo com 17,2% menos seguidores. Esses dados reforçam as preocupações com a isonomia na plataforma.

TSE exige explicações e Meta se defende de acusações

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já se manifestou sobre o caso, concedendo um prazo de 48 horas para que a Meta apresente explicações detalhadas sobre as acusações levantadas pela campanha de Lula. A exigência visa esclarecer as circunstâncias que levaram à redução do alcance das postagens e à alegada disparidade de engajamento.

Em sua defesa, a Meta declarou que “as alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos”. A empresa reitera seu compromisso com a imparcialidade e a conformidade com a legislação eleitoral brasileira, afirmando que “muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas”.

Histórico de polêmicas e a relação Meta-Trump em debate

Esta não é a primeira vez que a Meta se vê envolvida em controvérsias relacionadas ao uso de suas plataformas em processos eleitorais. O caso Cambridge Analytica, onde dados de milhões de usuários do Facebook foram indevidamente utilizados para influenciar campanhas, incluindo a eleição de Donald Trump em 2016 e o Brexit no Reino Unido, ainda ecoa.

Na época, o Facebook (atual Meta) admitiu “falhas” em seu sistema que permitiram a coleta massiva de informações. Em 2019, a empresa foi multada em US$ 5 bilhões pela Comissão Federal de Comércio dos EUA por supostamente enganar usuários sobre o controle de sua privacidade.

A declaração de Mark Zuckerberg, dono da Meta, de que trabalharia com Donald Trump contra governos que defendessem regulamentação das redes sociais, também adiciona uma camada de complexidade ao debate sobre a neutralidade da plataforma em períodos eleitorais, especialmente considerando o histórico e as atuais alegações.

O uso e a potencial manipulação de plataformas digitais para direcionar informações durante eleições são temas de crescente preocupação global, com impactos diretos na democracia e no debate público.

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