Lula reage a classificação de facções por EUA e exige respeito à soberania brasileira, alertando para interesses sobre minerais.
Em tom firme, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou respeito à soberania do Brasil e criticou veementemente as declarações de autoridades dos Estados Unidos sobre a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas. A declaração foi feita durante visita à Fafen-SE, em Sergipe.
Lula reconheceu que organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) são, de fato, terroristas, mas ressaltou que o impacto é sentido pelas comunidades brasileiras, e não pelos Estados Unidos. Para o presidente, essa distinção afasta qualquer justificativa para uma eventual intervenção estrangeira no país.
O presidente demonstrou tristeza com a postura do secretário americano Marco Rubio e enfatizou que o Brasil possui leis e capacidade para combater o crime organizado internamente, citando a aprovação de leis específicas para essa finalidade. A fala de Lula foi divulgada em meio a debates sobre a cooperação internacional no combate ao crime. Conforme informação divulgada pelo presidente, o Brasil tem buscado fortalecer suas próprias estratégias.
Facções são terroristas para o Brasil, não para os EUA
O presidente Lula afirmou com clareza que facções como o Comando Vermelho e o PCC são terroristas, mas o foco dessa classificação deve ser voltado para o impacto direto nas comunidades brasileiras. Ele destacou que essas organizações causam transtornos significativos para famílias, bairros e cidades em todo o território nacional.
“São terroristas e vamos combatê-los aqui dentro”, declarou Lula, mencionando a aprovação de uma lei antifacção e outra de combate ao crime organizado como ferramentas para essa luta. O presidente também ressaltou que o perfil dessas facções brasileiras difere do que geralmente os EUA consideram como terroristas, citando Osama Bin Laden como um exemplo distinto.
Adicionalmente, Lula apontou para a origem de parte do tráfico de armas no Brasil, indicando os Estados Unidos como um dos fornecedores. Essa observação adiciona uma camada de complexidade à relação bilateral e à discussão sobre responsabilidades no combate ao crime transnacional.
Exigência de respeito e alerta sobre riquezas minerais
Em um momento de forte cobrança, Lula exigiu que as autoridades estadunidenses tratassem o Brasil com o devido respeito. “Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Isso aqui é um país muito grande”, afirmou o presidente, demonstrando insatisfação com o que percebe como um tratamento condescendente.
Lula levantou a hipótese de que o interesse dos Estados Unidos possa estar disfarçando uma cobiça pelas vastas riquezas minerais do Brasil. Ele mencionou a presença de minerais críticos, terras raras, ouro, diamantes, além da maior floresta tropical e reservas de água doce, como potenciais alvos de interesse estrangeiro.
“Daqui a pouco vão dizer que a Amazônia é deles. Não é”, alertou o presidente, reforçando a defesa intransigente da soberania brasileira sobre seus recursos naturais e seu território. A declaração ecoa preocupações históricas sobre a exploração de recursos naturais por potências estrangeiras.
Brasil busca cooperação, mas com reciprocidade
O presidente Lula reiterou o compromisso do Brasil em combater o crime organizado e anunciou que a aprovação da PEC da Segurança Pública reforçará essas ações. Ele deixou claro que o Brasil está aberto à colaboração com os Estados Unidos, mas com a condição de que essa parceria seja baseada no respeito mútuo e na reciprocidade.
“Caso os EUA realmente queiram colaborar, serão muito bem-vindos, mas que esse combate precisa ser feito também em território estadunidense”, disse Lula. Ele mencionou ter entregue um documento ao ex-presidente Donald Trump, no qual o Brasil se dispunha a trabalhar no combate ao crime organizado, sugerindo o início pelo estado de Delaware, onde há lavagem de dinheiro de brasileiros.
Lula citou exemplos concretos de criminosos brasileiros que estariam nos EUA, como Carlos Ramagem e Ricardo Magro, e pediu a extradição deles como um gesto de cooperação. “Quer combater o crime organizado? Entreguem os nossos [criminosos] que estão lá nos EUA”, concluiu, reforçando a ideia de que o combate ao crime deve ser uma via de mão dupla, com responsabilidades compartilhadas entre os países.
