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Jogos Inovadores Avaliam Desempenho Motor e Auxiliam no Diagnóstico Precoce do Autismo, Revela Pesquisa da USP

Jogos Sérios: Uma Nova Fronteira no Diagnóstico do Autismo

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) tradicionalmente se baseia em observações clínicas, entrevistas e testes neuropsicológicos. Embora eficazes, esses métodos podem carregar um grau de subjetividade. Em busca de maior precisão, especialistas têm explorado ferramentas que ofereçam dados quantificáveis e objetivos, e os chamados serious games, ou jogos sérios, emergem como uma promissora solução.

Esses jogos, diferentes dos puramente recreativos, são desenvolvidos com propósitos educacionais, terapêuticos ou de conscientização. No contexto do TEA, eles se destacam por permitir a coleta detalhada de dados sobre coordenação motora, equilíbrio e padrões de movimento atípicos, reduzindo a subjetividade inerente às avaliações clínicas convencionais.

Uma pesquisa realizada na Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) da USP, liderada por Fernanda Orosco Guilherme, investigou o potencial de um jogo interativo com captação de movimento para distinguir indivíduos com TEA de pessoas neurotípicas, analisando parâmetros sensório-motores. Conforme divulgado pela pesquisa, o estudo concluiu que o jogo foi eficaz na identificação do tempo de resposta como um padrão motor relevante, com pessoas com autismo apresentando respostas significativamente mais lentas.

Tecnologia que Desenvolve e Diagnostica

Os serious games não se limitam à coleta de dados diagnósticos. Eles também possuem um notável potencial terapêutico. Ao proporcionar um ambiente lúdico e estimulante, esses jogos auxiliam pessoas com autismo no desenvolvimento de diversas habilidades, incluindo as motoras, físicas, sociais, comunicativas e emocionais.

A pesquisa contou com a participação de 38 pessoas com diagnóstico clínico de autismo, com idades entre 5 e 25 anos, recrutadas em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Tatuí (SP). Um grupo controle com outras 38 pessoas com desenvolvimento típico foi formado para comparação, buscando equivalência em gênero e faixa etária.

O Jogo Bubbles e a Análise de Movimentos

A ferramenta utilizada no estudo foi o jogo Bubbles. Nele, os participantes utilizam seus braços para interceptar bolhas que aparecem aleatoriamente na tela, com variações de direção, tamanho e tempo de exibição. A dinâmica exige coordenação e tempo de reação, aspectos cruciais para a análise.

Durante a execução da tarefa, uma câmera capturava os movimentos em tempo real. Essa tecnologia permitiu mensurar com precisão o desempenho dos participantes e comparar os resultados entre os grupos. Os indicadores analisados incluíram o tempo de acerto, a distância percorrida pelo alvo até a interceptação e a porcentagem de acertos.

Resultados Evidenciam a Eficácia da Ferramenta

Os resultados da pesquisa foram claros: o grupo experimental, composto por indivíduos com autismo, apresentou menor precisão nos acertos e menor eficiência no trajeto motor até o alvo. Contudo, o indicador mais expressivo foi o tempo de resposta.

Indivíduos com autismo demonstraram ser significativamente mais lentos que o grupo controle durante toda a execução da tarefa. Esse achado reforça o potencial dos serious games como ferramentas capazes de captar e quantificar padrões sensório-motores característicos do autismo, fornecendo informações detalhadas e rigor científico ao processo diagnóstico.

Futuro Promissor para Diagnóstico e Terapia

A pesquisadora Fernanda Guilherme ressalta que, além da precisão diagnóstica, a tecnologia oferece vantagens como baixo custo e alta atratividade para pessoas com autismo. Isso a torna um recurso valioso não apenas para o diagnóstico, mas também para o acompanhamento da evolução terapêutica dos pacientes.

“No futuro, esperamos que os jogos sérios se tornem uma ferramenta cada vez mais acessível e amplamente utilizada nos serviços de saúde pública”, afirma Fernanda Guilherme. A dissertação que detalha esta pesquisa, intitulada “Caracterização do Desempenho Motor em Indivíduos com Transtorno do Espectro Autista Utilizando um Jogo de Interceptação em Realidade Virtual Não Imersiva”, está disponível no Banco de Teses da USP. O jogo Bubbles pode ser acessado gratuitamente pela plataforma Open Heal.

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