Segunda-feira, 20 de Julho de 2026 às 16:34
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Jogadores da Argentina Levantam Faixa das Malvinas Pós-Vitória Contra Inglaterra e Reacendem Debate Histórico na Copa do Mundo

A imagem de jogadores da Argentina erguendo uma faixa com a inscrição “As Malvinas são argentinas”, após a vitória sobre a Inglaterra por 2 a 1, ecoou globalmente. O ato, ocorrido na semifinal da Copa do Mundo, reacendeu o debate sobre a posse do arquipélago, administrado pelo Reino Unido, mas reivindicado pela Argentina.

Este domingo, a seleção argentina disputa o título mundial contra a Espanha, em um momento de grande expectativa nacional. A faixa, confeccionada por um torcedor com um lençol de hotel, tornou-se um símbolo de união para o povo argentino.

“O gesto dos jogadores, de exibir para o mundo inteiro uma bandeira confeccionada por um torcedor a partir de um lençol de hotel tornou-se um feito compartilhado por todo o povo argentino”, afirmou à Agência Brasil a diplomata e ex-embaixadora da Argentina no Reino Unido, Alicia Castro. A ação tem paralelos com manifestações de apoio a outras causas, como a da Palestina, que não resultaram em punições por estarem ligadas a entidades afiliadas à FIFA.

O Disputado Arquipélago no Atlântico Sul

As Ilhas Malvinas, conhecidas internacionalmente como Falklands, localizam-se a sudoeste do Oceano Atlântico, a cerca de 500 quilômetros da costa argentina. O território é administrado pelo Reino Unido, mas a Argentina mantém uma reivindicação histórica de soberania, considerando o arquipélago parte de seu território.

As Nações Unidas (ONU) buscam uma solução pacífica para este conflito, enquadrando-o em ações de descolonização. A disputa culminou em uma guerra de 74 dias em 1982, que resultou em centenas de mortos, a maioria soldados argentinos, devido ao poderio bélico britânico.

Uma Ferida Aberta e a Memória Coletiva

A derrota na guerra deixou uma “ferida aberta” na Argentina. A vitória da seleção argentina sobre a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986, por 2 a 1, com dois gols de Diego Maradona, foi vista como uma revanche simbólica. Maradona, então com 21 anos, não participou da guerra por já ser um jogador de destaque.

A questão das Malvinas permanece viva na cultura argentina. “A torcida da seleção traz essas lembranças, assim como os clubes locais. Todos fazem alguma menção à questão das Malvinas”, explica o cientista político Leandro Gabiati. O tema é uma “agenda que unifica o país, está acima de qualquer divergência ideológica”.

Repercussão Internacional e Críticas à FIFA

O ato argentino gerou desconforto no Reino Unido. O colunista Simon Jenkins, do jornal The Guardian, defendeu negociações, questionando o direito de territórios imperiais de permanecerem como estão e o custo para os contribuintes britânicos, estimado em mais de 60 milhões de libras anuais.

O embaixador Guillermo Carmona, ex-secretário das Malvinas do governo argentino, considera a gestão britânica “anacrônica” e vê o gesto dos jogadores como “soft power” para destravar negociações. “O gesto dos jogadores deveria despertar os diplomatas britânicos de sua inércia e forçá-los a confrontar uma realidade geográfica e histórica inescapável”, declarou.

Alicia Castro acrescentou que a faixa demonstrou que “a luta contra o colonialismo permanece um imperativo ético”. A possibilidade de punição pela FIFA é vista como hipocrisia por entrevistados, que apontam a entidade como seletiva na aplicação de regras, citando casos como a exclusão da Rússia e o tratamento dado ao Irã.

A FIFA declarou que o Comitê Disciplinar Independente avaliará os relatórios da partida para decidir os próximos passos, conforme o Código Disciplinar. Em 2014, a Associação do Futebol Argentino (AFA) foi multada em US$ 33 mil por um ato semelhante.

Posição do Presidente Argentino e Histórico da Disputa

O presidente argentino Javier Milei compreende os sentimentos dos jogadores e considera o protesto “válido e lícito”. Ele prometeu esforços diplomáticos para recuperar o território, afirmando: “As Malvinas são argentinas e nós vamos recuperá-las”.

Historicamente, as Ilhas Malvinas pertenceram à Espanha, mas foram ocupadas por franceses e ingleses. Após a independência argentina em 1816, o país passou a reivindicar o arquipélago. No entanto, em 1833, os ingleses expulsaram a administração local e povoaram o território, visando uma base militar e acesso a rotas marítimas. Atualmente, a disputa também envolve a exploração de riquezas minerais, como petróleo.

A Argentina rejeita a soberania britânica. A questão ganhou força no governo de Juan Domingo Perón (1946-1955) e tem sido reiterada pela ONU, que desde 1989 busca uma solução pacífica e negociada para o território.

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