Sábado, 17 de Outubro de 2026 às 14:46
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Idosos 70+ votam mais: Abstenção cai 9,7 pontos percentuais em 2026, impulsionada por nova geração e incentivos

Queda na abstenção de idosos nas urnas marca avanço na participação política

Um dado animador das últimas eleições revela um aumento significativo na participação eleitoral entre os brasileiros com mais de 70 anos. A abstenção nesta faixa etária caiu 9,7 pontos percentuais no primeiro turno de 2026, comparado a 2022. Este resultado é um indicativo importante de que o envelhecimento não significa afastamento da vida política.

O levantamento, realizado pelo Movimento Voto 70+, iniciativa apartidária focada na participação política dos idosos, utilizou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A redução no percentual de eleitores com mais de 70 anos que não compareceram às urnas passou de 58,8% em 2022 para 49,1% em 2026.

Essa melhora ocorre em um contexto de expansão do eleitorado idoso. O número de brasileiros com mais de 70 anos aptos a votar cresceu de 14,9 milhões em 2022 para 17,2 milhões em 2026. Se considerarmos o grupo com mais de 60 anos, o total de eleitores chega a 36,8 milhões. Conforme informação divulgada pelo Movimento Voto 70+, essa queda na abstenção é vista como um avanço, demonstrando que a geração mais velha tem muito a contribuir para as decisões sobre o futuro do país.

Compreendendo os perfis de não votantes

Para entender as razões por trás da abstenção entre os eleitores com 70 anos ou mais, o Movimento Voto 70+ realizou a pesquisa exploratória “Retratos do Voto 70+: descobertas sobre a abstenção eleitoral”. O estudo identificou três perfis principais entre os que deixaram de votar ou não tinham certeza se compareceriam às urnas.

Um desses perfis é o eleitor com “baixa autoestima política”, que sente que seu voto não faz diferença. Outro grupo é o de eleitores que consideram que o resultado das eleições não terá impacto em suas vidas. Há também aqueles que desejam votar, mas enfrentam barreiras físicas, como longas filas, distância do local de votação ou dependência de terceiros para o deslocamento.

Adriana de Queiroz, pesquisadora do Data8 e parte do movimento, destaca a importância de entender essas diferenças. Compreender esses fatores é crucial para lidar com os elevados níveis de abstenção em um eleitorado que cresce rapidamente.

Incentivos e campanhas impulsionam o voto idoso

O voto para eleitores com mais de 70 anos é facultativo, assim como para analfabetos e jovens entre 16 e 18 anos. Para facilitar a participação, eleitores com mais de 80 anos têm prioridade nas filas. O movimento também busca ampliar o debate sobre obstáculos como limitações de mobilidade, falta de redes de apoio e etarismo, que dificultam o comparecimento às urnas.

No segundo turno, o voto dos idosos conta com um incentivo adicional: ele pode ser utilizado pelo INSS para a prova de vida automática de aposentados e pensionistas. Essa medida, válida inclusive para quem não votou no primeiro turno, visa estimular a participação.

Uma iniciativa que promete engajar ainda mais é a campanha “Vovó Vota”. Lançada pelo Movimento Voto 70+, ela propõe aproximar netos e avós durante o período eleitoral. O objetivo é combater as barreiras que afetam a participação feminina, como dificuldades de mobilidade, ausência de redes de apoio e desestímulo familiar. Em 2022, 64% das mulheres com mais de 70 anos não votaram, um índice dez pontos superior ao dos homens na mesma faixa etária, segundo dados do Data8.

A campanha oferecerá um guia digital com orientações práticas para organizar o deslocamento até a seção eleitoral, conferir documentos e oferecer companhia às eleitoras que desejam exercer seu direito ao voto, promovendo assim uma participação mais ativa e inclusiva.

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