Domingo, 09 de Agosto de 2026 às 18:58
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Galeria Desvenda a Arte e Ingenuidade dos Ambulantes Cariocas: Uma Homenagem Visual em Meio a Controvérsias

Exposição fotográfica no Centro Municipal Hélio Oiticica destaca a inventividade dos trabalhadores que ganham a vida nas praias cariocas

A força e a criatividade dos trabalhadores ambulantes das praias do Rio de Janeiro ganham destaque em uma nova exposição fotográfica. A mostra, que ocupa o Centro Municipal Hélio Oiticica até o dia 30, celebra a engenhosidade desses profissionais.

Intitulada ‘Não Somos Mula’, a exposição reúne cerca de 120 fotografias do premiado fotógrafo Rogério Reis. A maioria das imagens é apresentada ao público pela primeira vez, oferecendo um olhar poético sobre o cotidiano desses trabalhadores.

O nome da exposição, segundo Reis, faz referência aos próprios ambulantes, que carregam peso e se desdobram para vender seus produtos nas areias da orla. O trabalho fotográfico, divulgado conforme informação da fonte original, busca contrapor a dureza da labuta com a beleza e a arte encontradas em suas improvisações.

Arte em Forma de Estruturas

As fotografias de Rogério Reis revelam como materiais simples, como carrinhos, caixas térmicas e guarda-sóis, são transformados em verdadeiras esculturas e instalações. O fotógrafo descreve seu método como uma “sistematização poética desses artefatos, dessas ferramentas, dessas gambiarras todas usadas como suporte para exposição dos produtos”.

Essa capacidade de inovação e criatividade é um dos focos da exposição, que realça como os ambulantes desenvolvem estruturas únicas para transportar mercadorias e organizar seu trabalho diário. Reis confere a esses elementos “uma visão mais lúdica, mais artística”, como ele mesmo define.

A maior parte do acervo, cerca de 80% das fotos, foi capturada em Copacabana, praia conhecida pela forte presença de ambulantes. Os 20% restantes foram registrados nas areias do Arpoador, Ipanema e Leblon, consolidando um panorama visual da atividade.

Ambulantes Sob Pressão: O Programa Tolerância Zero

A exposição surge em um momento delicado para os trabalhadores ambulantes, que protestam contra o Programa Tolerância Zero, implementado pela Prefeitura do Rio de Janeiro. A iniciativa visa intensificar a fiscalização contra o comércio irregular nas praias.

A prefeitura alega que o programa combate a exploração e o envolvimento de facções criminosas com o comércio informal. No entanto, o Movimento Unido dos Camelôs (Muca) tem se manifestado, cobrando diálogo e afirmando que os trabalhadores estão sendo tratados como criminosos.

O Ministério Público Federal também contestou a medida, ajuizando uma ação civil pública pedindo sua suspensão. O procurador regional adjunto Julio Araujo criticou a implementação do programa sem diálogo com a sociedade e sem a apresentação de alternativas para os milhares de ambulantes que dependem dessa renda.

Preocupações com o Futuro e Propostas Alternativas

Em conversas com os ambulantes, Rogério Reis ouviu relatos sobre o temor de uma possível privatização do comércio nas praias. Os trabalhadores expressaram a preocupação de que, no futuro, o espaço que hoje ocupam seja dominado por empresas.

O fotógrafo defende que, em vez de medidas repressivas como o Tolerância Zero, o governo municipal deveria investir em projetos socioeducativos. O objetivo seria qualificar e apoiar o trabalho desses profissionais autônomos, que formam uma parte importante da dinâmica das praias cariocas.

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