Uma nova pesquisa aponta um forte desejo da população brasileira por mais dias de descanso semanal. Cerca de 73% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6×1, um modelo de trabalho que alterna seis dias de atividade com apenas um de folga.
No entanto, a condição para esse apoio é clara: a manutenção integral dos salários. A pesquisa, realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país e evidencia que a preocupação com a renda é um fator determinante na aceitação de novas jornadas de trabalho.
O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 tem ganhado força no cenário político e social brasileiro. A pesquisa da Nexus joga luz sobre a opinião pública, mostrando um alinhamento significativo com a busca por um equilíbrio maior entre vida profissional e pessoal, mas com ressalvas importantes.
Apoio Massivo por Mais Descanso Semanal
A pesquisa da Nexus, realizada entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro deste ano, revelou que impressionantes 84% dos brasileiros são favoráveis a ter, no mínimo, dois dias de descanso por semana. Este dado reforça a percepção de que a população valoriza o tempo livre e o bem-estar.
Ao serem questionados especificamente sobre o fim da escala 6×1, 73% dos entrevistados se mostraram a favor, mas com a ressalva crucial de que não haja redução salarial. Essa condição é um ponto central na discussão, indicando que a segurança financeira é prioritária para a maioria.
A Consciência sobre o Debate e as Condicionantes
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, explicou que cerca de 62% dos consultados têm conhecimento sobre a proposta de acabar com a escala 6×1, que está em debate no governo federal e no Congresso Nacional. Contudo, uma parcela significativa, 35%, nunca ouviu falar sobre o assunto.
Dentre os que conhecem o debate, a opinião se divide. 63% se mostraram favoráveis ao fim da escala 6×1 de forma genérica. Contudo, ao serem confrontados com a possibilidade de redução salarial, o apoio cai consideravelmente. Apenas 30% afirmaram continuar a favor, desde que o salário não seja afetado.
O Impacto da Redução Salarial na Opinião
A pesquisa detalha que, se houver redução salarial, o percentual de favoráveis ao fim da escala 6×1 cai para 28%. Por outro lado, 40% só são favoráveis à mudança se o salário for mantido. Este cenário evidencia que a questão salarial é o principal obstáculo para a aprovação generalizada do fim da escala 6×1.
Para 22% dos entrevistados que inicialmente eram contrários ao fim da escala 6×1, a perspectiva muda. Desses, 10% afirmaram que apoiariam a medida se não houvesse diminuição nos seus ganhos, demonstrando a força da condição salarial na decisão.
O Que Esperar do Futuro da Jornada de Trabalho
Marcelo Tokarski avalia que a discussão no Congresso Nacional deve girar em torno da redução da jornada de trabalho, com ou sem diminuição da remuneração. Ele destaca que a pesquisa mostra um desejo unânime por mais folgas, mas a contrapartida salarial é um ponto sensível.
A PEC 148/2015, que tramita no Senado, prevê um fim gradual da escala 6×1, com aumento dos descansos semanais e possível redução da jornada máxima para 40 horas em 2027 e 36 horas a partir de 2031. A questão da remuneração, no entanto, ainda é um ponto a ser definido pelo Congresso Nacional, e a pesquisa indica que a maioria da população não aceita redução salarial em troca de mais dias de folga.
Divisão Política no Apoio à Mudança
A pesquisa também aponta uma diferença no apoio ao fim da escala 6×1 entre eleitores de diferentes espectros políticos. Entre aqueles que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2022, 71% são a favor da proposta. Já entre os que votaram em Jair Bolsonaro, 53% apoiam o fim da escala 6×1.
Apesar da aprovação de 52% dos entrevistados de que a proposta será aprovada pelo Congresso, a complexidade da negociação, especialmente em relação ao impacto salarial, sugere que o debate ainda reserva muitos capítulos para serem escritos.
