Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026 às 10:05
ADVERTISEMENT

Fenaj repudia “espetáculo” em debate da Band e exige jornalismo sério: “Democracia não se constrói com mentiras”

Fenaj critica formato de debate da Band e defende jornalismo de qualidade

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e seus sindicatos filiados expressaram profunda indignação com a condução e o formato do debate eleitoral promovido pela TV Bandeirantes no último domingo (18). O evento, que deveria ser um palco para o confronto de ideias e apresentação de propostas, foi criticado por se transformar em um “espetáculo de provocações, bordões e ataques”.

Segundo a Fenaj, essa abordagem prejudica a informação e o interesse público, afastando-se do propósito democrático do debate. A entidade reforça que o jornalismo não pode ser pautado pela lógica do espetáculo ou pela busca incessante por audiência a qualquer custo.

Em nota oficial, a Fenaj destacou que “o jornalismo não pode ser refém da lógica do espetáculo, da audiência a qualquer preço ou das estratégias de candidatos que desprezam o diálogo democrático”. A organização enfatiza que quando perguntas essenciais não são respondidas e informações falsas não são confrontadas, a população brasileira é quem sai perdendo. As informações são baseadas em nota divulgada pela própria Fenaj.

Críticas à fragilidade das regras e à ausência de mecanismos de controle

A Fenaj reconhece a trajetória dos mediadores, mas levanta questionamentos sobre a responsabilidade editorial da emissora. A entidade aponta a fragilidade das regras estabelecidas e a ausência de mecanismos eficazes para garantir a finalidade do debate eleitoral. Para a Federação, não basta apenas oferecer tempo igualitário aos candidatos, sendo fundamental assegurar que as informações apresentadas sejam relevantes, fundamentadas e passíveis de verificação.

A entidade ressalta que a liberdade de expressão não deve ser confundida com a liberdade de transformar um debate jornalístico em um instrumento de manipulação. Da mesma forma, a pluralidade de ideias não significa conceder às mentiras o mesmo peso e tratamento dispensado aos fatos comprovados.

Prioridade para temas cruciais em detrimento de ataques e slogans

A Fenaj lamenta que o formato do debate tenha favorecido “slogans e ataques pessoais”, relegando a segundo plano temas de extrema importância para o futuro do país. Assuntos como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais foram deixados em segundo plano. A entidade defende que o futuro do Brasil exige propostas concretas, e não meras encenações destinadas à produção de conteúdo viral para redes sociais.

O jornalismo, na visão da Fenaj, tem o dever de perguntar, confrontar versões, contextualizar acontecimentos e exigir respostas. A neutralidade diante da desinformação, segundo a nota, não equivale à imparcialidade, podendo, na verdade, contribuir para a legitimação de informações falsas.

Fenaj defende revisão dos modelos de debates eleitorais

Diante do exposto, a Fenaj propõe que as emissoras revisem seus modelos de debates eleitorais. A entidade defende a implementação de regras mais efetivas que garantam respostas objetivas, intervenção editorial diante de informações comprovadamente falsas e a devida responsabilização pelo descumprimento das normas. O objetivo é assegurar o direito constitucional à informação de qualidade.

A Federação enfatiza que não se trata de restringir o contraditório ou tutelar o pensamento dos eleitores, mas sim de impedir que a desinformação comprometa a liberdade de escolha. O Brasil já conhece as graves consequências da normalização da mentira, da violência verbal e dos ataques às instituições democráticas, e o jornalismo não pode ignorar essa experiência.

Jornalismo sério é essencial para a democracia

A nota finaliza reafirmando o compromisso histórico da Fenaj com a liberdade de imprensa, a ética profissional, o direito à informação e a defesa intransigente da democracia. A Federação conclui que “debate eleitoral não é entretenimento. Jornalismo não é espetáculo. Democracia não se constrói com mentiras”. A sociedade brasileira merece debates à altura de seus desafios, e o jornalismo tem o dever de estar à altura de sua responsabilidade.

Menu