Domingo, 25 de Outubro de 2026 às 08:36
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Ex-jogadoras da Seleção Brasileira Inspiram Meninas em Escolas do Rio com o Programa Pioneiras nas Escolas

Pioneiras do Futebol Feminino Motivam Alunas em Escolas Públicas do Rio de Janeiro

Em uma tarde inspiradora na Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, o campo de futebol foi palco de um minitorneio disputado exclusivamente por garotas. A iniciativa faz parte do programa Pioneiras nas Escolas, que tem como objetivo levar ex-jogadoras da seleção brasileira para compartilhar suas trajetórias e incentivar as jovens estudantes.

Mais de 100 alunas lotaram o auditório para ouvir histórias de superação, motivação e conhecer curiosidades sobre o futebol feminino. As ex-jogadoras Marisa Pires (Caju), Maria Lúcia Lima (Fia) e Marilza Martins (Pelezinha) compartilharam os desafios enfrentados, como o machismo e o preconceito, em uma época em que o esporte para mulheres era proibido.

A proibição do futebol para mulheres vigorou de 1941 a 1979, com base em um decreto-lei que considerava o esporte incompatível com a natureza feminina. Essa realidade surpreende as jovens de hoje, como Nicoly Melo, de 12 anos, que questionou a proibição. O esporte foi regulamentado apenas em 1983, com a primeira participação feminina em competições internacionais ocorrendo anos depois, conforme informações divulgadas pela Agência Brasil.

Histórias de Luta e Conquista no Futebol Feminino

Maria Lúcia Lima, a Fia, de 62 anos, relembrou o forte machismo da época e como usava seu talento para superar o preconceito. “Sempre joguei com menino, tinha talento. Não queria saber de machismo”, disse Fia às alunas. Ela integrou a seleção por cinco anos, foi tricampeã continental e participou da primeira Copa do Mundo e da primeira Olimpíada feminina.

A ex-zagueira Caju, de 60 anos, que esteve na seleção de 1988 a 1999, com 43 jogos e 34 vitórias, compartilhou que ouviu provocações de torcedores dizendo que “mulher não servia para jogar futebol”. Ela enfatizou que essas palavras serviam de combustível para mostrar a habilidade das jogadoras em campo. Atualmente, Caju atua como árbitra de futebol.

O Programa Pioneiras nas Escolas e a Importância da Educação

Coordenado pela ex-jogadora Duda Luizelli, o Pioneiras nas Escolas visa mostrar às jovens a importância de acreditar em seu potencial, sem descuidar dos estudos. Luizelli ressalta que a carreira de atleta é curta e, por isso, a educação é fundamental para garantir um futuro após o esporte. “Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade”, afirmou a bicampeã sul-americana.

O programa conta com o apoio da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. A Escola Municipal Juan Antonio Samaranch é um Ginásio Experimental Olímpico (GEO) desde 2012, com ensino integral e forte incentivo ao esporte. A unidade atende cerca de 600 estudantes de 11 a 15 anos e conta com treinadores em 19 modalidades esportivas, sendo um legado olímpico iniciado na preparação para os Jogos Rio 2016. Atualmente, o Rio de Janeiro possui 12 GEOs.

Preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027

Caroline Guedes, coordenadora de Projetos Integradores da SME, destaca a relevância do Pioneiras nas Escolas na preparação do Rio de Janeiro para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027. “É muito importante que a gente já esteja se preparando para esse momento e, mais do que isso, se preparando dentro do nosso primeiro ginásio olímpico, que é muito importante para nossa rede”, declarou.

Letícia Pereira, aluna do 9º ano, de 15 anos, considera um privilégio receber as ex-jogadoras. Ela acredita que a experiência em uma escola voltada para o esporte é um passo importante para mostrar às alunas que o esporte pode oferecer um futuro promissor. Letícia já planeja assistir aos jogos da Copa do Mundo Feminina em 2027, demonstrando o impacto positivo da iniciativa.

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