Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026 às 23:46
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Ex-banqueiro Daniel Vorcaro nega à PF envolvimento com “A Turma” e pede soltura: “Não há mais motivos para prisão”

Vorcaro depõe à PF e nega atuação em grupos criminosos, pedindo liberdade

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apresentou seu depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (30). Durante a oitiva, Vorcaro negou veementemente qualquer participação em atos de violência ou intimidação contra desafetos. Ele também refutou conhecer ou fazer parte de grupos identificados como “A Turma” ou “Os Meninos”.

A defesa do ex-banqueiro declarou, em nota, que o acesso ao inquérito comprovou que as expressões “A Turma” e “Os Meninos” nunca designaram grupos específicos ou estruturas organizadas. Segundo os advogados, isso evidencia a ausência de qualquer ilicitude ou prática criminosa atribuível a Daniel Vorcaro.

As investigações da PF, que levaram à descoberta dessas supostas organizações, basearam-se em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. As evidências de atividades ilícitas se fortaleceram com a análise de conversas obtidas do celular do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Ministro do STF descreveu “A Turma” como estrutura de coação

Na época da prisão de Daniel Vorcaro, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), descreveu “A Turma” como uma estrutura utilizada para monitoramento e coleta de informações, além da prática de atos de coação e intimidação. As vítimas incluíam concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas.

O grupo chegou a discutir a simulação de um assalto com o objetivo de ferir gravemente o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, que havia publicado notícias desfavoráveis a Daniel Vorcaro. A PF aponta Henrique Vorcaro, pai de Daniel, como o comandante do grupo.

As investigações indicam que Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, atuava como uma espécie de gerente das atividades desses grupos. Daniel Vorcaro confirmou à polícia conhecer Mourão, com quem, segundo seus advogados, possuía um contrato formal e lícito para prestação de serviços de inteligência e segurança digital.

Defesa alega inexistência de ameaças e pede soltura

O depoimento de Daniel Vorcaro nesta quarta-feira teve como foco justamente as atividades desses grupos. Seus advogados sustentam que nunca houve ameaça ou risco à integridade física de terceiros.

“Eventuais desabafos, oriundos de recortes maliciosos de mensagens privadas, proferidos em momentos de indignação, jamais redundaram em consequências práticas ou em qualquer risco real a terceiros”, afirmou a defesa em nota, ressaltando que a sequência completa das mensagens e o perfil pacífico de Daniel Vorcaro comprovam essa alegação.

A defesa de Daniel Vorcaro solicitou a soltura do empresário, argumentando que os motivos que levaram à sua prisão não mais persistem. Para os advogados, não há mais razões para que o empresário aguarde o desfecho das investigações detido.

Henrique Vorcaro também depõe e nega articulação do grupo

Henrique Vorcaro, pai de Daniel, também prestou depoimento à PF no mesmo dia. Ele negou ser o articulador do grupo “A Turma”, afirmando ter mantido apenas relações comerciais com três integrantes do grupo.

A defesa de Henrique Vorcaro também expressou insatisfação com a manutenção da prisão de seu cliente e com a falta de andamento processual no STF. A defesa alega que não há um relator designado para decidir sobre o caso e que pedidos anteriores feitos ao ministro André Mendonça não foram respondidos.

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