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EUA em xeque: Maioria da população contra guerra com Irã, mas elite política dividida e mídia polarizada

EUA dividem opiniões sobre guerra contra o Irã: O que dizem pesquisas, Congresso e mídia

A possibilidade de um conflito militar entre os Estados Unidos e o Irã tem gerado intensos debates e divisões no país norte-americano. Enquanto a população demonstra em sua maioria contrariedade à guerra, a classe política em Washington apresenta um cenário de divergências, e a imprensa reflete essa polarização.

Pesquisas recentes indicam um sentimento predominante de desaprovação pública em relação a uma ação militar contra o Irã. No entanto, as discussões no Congresso e as diferentes linhas editoriais dos principais veículos de comunicação revelam um panorama complexo e multifacetado.

Especialistas apontam que a insatisfação popular pode crescer caso a guerra se intensifique ou resulte em perdas significativas. Acompanhe os detalhes dessa divisão que molda a posição dos EUA frente ao Irã.

Divisão no Congresso e base de Trump: um cenário de incertezas

No Congresso dos Estados Unidos, a questão da guerra contra o Irã tem gerado debates acirrados. Resoluções para limitar os poderes de guerra do presidente Donald Trump estão em tramitação, buscando impedir uma escalada militar sem a devida autorização legislativa. Os democratas questionam a legalidade de tais ações, argumentando que a Constituição exige aprovação do Congresso para o início de conflitos.

Por outro lado, a base republicana, partido do presidente Trump, tem, em sua maioria, apoiado a postura mais agressiva em relação ao Irã. Contudo, mesmo dentro do movimento “Make America Great Again” (Maga), surgem vozes de descontentamento e questionamento sobre a intervenção.

O professor de História e Política da Universidade de Denver, Rafael R. Ioris, avalia que a oposição à guerra ainda não é expressiva, mas pode se intensificar dependendo da evolução do conflito e do número de baixas. Ele ressalta que, por ora, os republicanos que controlam o Congresso não devem apresentar resistência significativa.

Pesquisas revelam desaprovação popular, mas Trump ignora números

Dados de pesquisas de opinião pública nos Estados Unidos pintam um quadro de forte contrariedade à guerra contra o Irã. Uma pesquisa da Reuters, em parceria com o instituto Ipsos, divulgada em 1º de janeiro, mostrou que apenas 27% dos americanos aprovam os ataques a Teerã. Outro levantamento, da CNN em parceria com a SSRS, indicou que 41% aprovam, enquanto 69% desaprovam os ataques.

Apesar desses números, o presidente Donald Trump afirmou que não se importa com as pesquisas, declarando que precisa “fazer a coisa certa” e que a ação contra o Irã “deveria ter sido feita há muito tempo”. Essa postura demonstra a distância entre a opinião pública e as decisões do executivo.

Mídia americana polarizada: entre o apoio e a crítica cautelosa

A cobertura midiática da guerra contra o Irã nos Estados Unidos também reflete a divisão nacional. Alguns veículos apoiam abertamente a ação, enquanto outros adotam uma postura crítica, seja à forma como o conflito foi conduzido por Trump, seja à própria intervenção militar. Há ainda aqueles que, mesmo criticando a abordagem, elogiam os esforços para derrubar o regime iraniano.

O New York Times, em editorial, classificou a ação como “imprudente”, criticando a falta de explicação de Trump sobre os motivos da guerra e a ausência de autorização do Congresso. No entanto, o jornal defendeu que a eliminação do programa nuclear iraniano seria um “objetivo louvável”.

O Wall Street Journal, por sua vez, mostrou-se favorável à agressão, argumentando que seria um “erro” encerrar a guerra prematuramente. Já o jornalista Michael Arria, do veículo independente Mondoweiss, considera que a mídia americana, em geral, “declarou guerra ao Irã”, disseminando propaganda governamental e ignorando o papel de Israel.

Manifestações e comunidade iraniana: vozes de oposição e apoio

A oposição à guerra contra o Irã se manifestou em algumas cidades americanas, mas os atos reuniram poucas centenas de participantes, indicando um alcance ainda limitado. Paralelamente, ocorreram celebrações pela morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, especialmente por parte de comunidades da diáspora iraniana anti-regime nos EUA.

James N. Green, professor emérito de História da Universidade de Brown, observa que existe um setor dentro da base de Trump, o movimento Maga, que é contrário à guerra. Ele afirma que, embora o nacionalismo e a defesa das tropas sejam argumentos recorrentes, uma parcela significativa e minoritária da base Maga está criticando a intervenção.

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