Sexta-feira, 31 de Julho de 2026 às 07:46
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Escreviventes: O Livro Que Celebra Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, Unindo Memória, Racismo e Maternidade

O lançamento de “Escreviventes” celebra o legado e a força de Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, duas vozes essenciais da literatura brasileira. A obra, originada de uma conversa profunda entre as autoras, aborda temas cruciais como memória, racismo, maternidade e a própria construção da escrita.

“Escreviventes” (Pallas Editora) é um convite à reflexão sobre a interseção entre vida e arte, apresentando o diálogo entre Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz. Gravado em um quilombo urbano no Rio de Janeiro, o livro mergulha em experiências pessoais que moldam a produção literária.

A obra, que marca a estreia da coleção “Memórias Brasileiras”, foi lançada durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde ambas as escritoras foram aclamadas em eventos com público expressivo. O livro também antecipa um documentário homônimo, com previsão de estreia em festivais em 2027.

Conforme informações divulgadas, a publicação é um marco simbólico, visto que em 2026 Conceição Evaristo completará 80 anos e Eliana Alves Cruz celebrará seus 60 anos. A obra representa um importante registro da trajetória de duas escritoras negras no cenário literário nacional.

A “Escrevivência” como Pilar da Criação Literária

Conceição Evaristo, ao detalhar seu conceito de escrevivência, ressalta que ele vai além da mera memória ou relato autobiográfico. Trata-se, segundo ela, de um processo que envolve criação e ficcionalização, onde a realidade vivida se entrelaça à imaginação.

“Só escreve ficção quem conhece a realidade”, pontuou Conceição Evaristo, citando o escritor angolano Pepetela. Para a autora, a experiência de mundo é o que possibilita a elaboração de narrativas ficcionais, inclusive a partir de memórias que podem ser construídas ou reinventadas.

Ela exemplifica essa ideia ao mencionar o romance “Um Defeito de Cor” de Ana Maria Gonçalves, que narra a história de uma mulher africana em busca de seu filho no Brasil. A protagonista, Kehinde, é inspirada em figuras reais da história negra, como a ativista Luiza Mahin.

A Importância do Registro e os Desafios do Audiovisual

Eliana Alves Cruz enfatizou a relevância de registros como “Escreviventes”, destacando a carência de materiais sobre importantes figuras negras, como Lélia Gonzalez. “Toda e qualquer oportunidade que a gente tenha para registrar as pessoas, a gente precisa usar”, afirmou a escritora.

“A gente sabe da importância, a gente celebra, tem livro publicado, mas não os registros [sobre as pessoas]. E essa foi uma oportunidade linda, um pouco feita na garra”, complementou Eliana, ressaltando o valor da iniciativa.

Apesar da importância da obra, Eliana Alves Cruz lamentou as dificuldades enfrentadas para adaptar projetos sobre história e memória negra para o formato audiovisual. Ela descreve o cenário como “bem difícil”, contrastando com a recente democratização da literatura, impulsionada pela tecnologia e pelos e-books.

Um Legado para a Literatura Brasileira

Conceição Evaristo acredita que o livro e o documentário “Escreviventes” se tornarão parte fundamental da história da literatura brasileira. Eles registrarão o percurso de duas escritoras negras, contribuindo para a visibilidade e o reconhecimento de suas vozes.

“A história da literatura brasileira é devedora das mulheres escritoras, e é principalmente devedora dos escritores negros, homens e mulheres”, declarou Conceição Evaristo, reforçando a necessidade de valorizar essas contribuições muitas vezes negligenciadas.

A obra “Escreviventes” se apresenta como um ato de resistência e afirmação, documentando não apenas a produção literária, mas também as vivências, os desafios e a potência das mulheres negras na construção cultural do Brasil. A publicação é um convite para que mais histórias sejam contadas e registradas, enriquecendo o panorama literário e a memória coletiva.

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