Eleitores Americanos Pessimistas com a Economia: Inflação em Alta e Dúvidas sobre o Futuro na Véspera das Eleições
Na iminência das eleições que definirão o controle do Congresso, a economia americana se tornou o foco principal dos eleitores. Preços elevados e em constante ascensão são a principal preocupação, com muitos culpando as políticas do presidente Donald Trump, como tarifas e a guerra com o Irã, pela persistente inflação. Essa insatisfação geral reflete um sentimento de pessimismo no país.
No entanto, os dados econômicos apresentam um quadro mais complexo. A taxa de desemprego se mantém em níveis historicamente baixos, o número de empregados nunca foi tão alto e o crescimento econômico geral é robusto. Recentemente, o boom de investimentos em inteligência artificial impulsionou o mercado de ações, beneficiando as contas de aposentadoria de milhões de americanos.
A inflação, contudo, contrasta com esse cenário positivo. Embora não esteja no pico de anos anteriores, ela permanece alta e impacta o bolso dos cidadãos em atividades cotidianas como abastecer o carro, pagar contas de luz e pedir comida. Mesmo sem estar diretamente na cédula eleitoral, o histórico econômico de Trump é levado em consideração pelos eleitores. Conforme informações divulgadas pela mídia, o clima geral é de ceticismo, senão de puro descontentamento.
O Pessimismo na Economia Americana
Pesquisas recentes indicam uma deterioração geral no ânimo dos consumidores desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025. Há nuances, com um indicador de confiança publicado pelo Conference Board mostrando melhora em outubro, enquanto o índice da Universidade de Michigan registrou uma baixa quase recorde. A principal queixa é o aumento constante dos preços.
Um dos pilares da confiança macroeconômica é o mercado de trabalho. Embora as empresas possam não estar contratando em massa e os recém-formados enfrentem dificuldades, não há demissões em larga escala. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego estão próximos da menor marca em 57 anos, e a taxa de desemprego, em 4,2% em setembro, não ultrapassa 4,5% há cinco anos consecutivos, o período mais longo registrado.
As famílias percebem essa estabilidade no emprego. O Conference Board mede a diferença entre quem afirma haver empregos em abundância e quem diz ser difícil conseguir um, e esse diferencial aumentou no último mês, sinalizando uma melhora nas perspectivas de emprego. O impulso positivo também vem dos ganhos no mercado de ações, com os principais índices americanos registrando dezenas de recordes este ano, algo frequentemente lembrado por Trump.
O Impacto da Inflação e a Guerra no Irã
A inflação é o principal fator de frustração para muitas famílias. Embora tenha desacelerado desde o pico em 2022, ela permanece bem acima da meta de 2% do banco central. Durante grande parte do segundo mandato de Trump, os salários cresciam mais rápido que os preços, mas essa situação mudou no início deste ano após ataques ao Irã, que elevaram os preços dos combustíveis globalmente e contribuíram para a aceleração geral dos preços.
A demanda por inteligência artificial (IA) também é apontada como um fator de inflação por economistas e formuladores de políticas do Federal Reserve. O crescimento dos salários tem desacelerado, e os preços ao consumidor e a remuneração média por hora subiram cerca de 5,5% desde janeiro de 2025, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA. Isso significa que o poder de compra dos trabalhadores não melhorou desde que Trump assumiu o cargo.
O Federal Reserve elevou sua taxa básica de juros em setembro e prevê novos aumentos em dezembro para combater a inflação. O objetivo é reduzir a inflação sem prejudicar a economia ou causar desemprego em massa. No entanto, os custos de empréstimos de longo prazo também subiram, aumentando as dificuldades financeiras enfrentadas pelos eleitores, com taxas de hipotecas ultrapassando 7% e a escassez de moradias elevando os preços dos imóveis.
O Papel da Inteligência Artificial e o Futuro Econômico
A demanda relacionada à IA está impulsionando grande parte dos ganhos no mercado de ações e na economia real. Os investimentos empresariais cresceram a uma taxa anualizada de 12,7% no último trimestre, refletindo o otimismo em setores de alta tecnologia. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, destacou a solidez do comportamento do consumidor e das empresas, atribuindo o bom desempenho a uma combinação de políticas tributárias, comerciais, energéticas e regulatórias.
Contudo, alguns economistas alertam para uma possível fragilidade no cenário. Resultados financeiros recentes de grandes empresas como Amazon e Intel aumentaram as preocupações sobre a sustentabilidade do boom de gastos com IA, levando a quedas acentuadas em índices como o Nasdaq Composite. Essa volatilidade pode indicar rachaduras que começam a aparecer na economia.
Apesar das preocupações com a inflação e a volatilidade do mercado, o comportamento do consumidor tem se mostrado resiliente. Os gastos das famílias, impulsionados pelo aumento do valor de suas ações, sustentaram o crescimento econômico, que atingiu 3,4% no último trimestre. A esperança é que a economia continue a se recuperar, apesar dos desafios presentes.
