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Eleição no Peru: Keiko Fujimori garante 2º turno, mas disputa acirrada define adversário entre esquerdista e ultraconservador

Eleição no Peru: Keiko Fujimori garante 2º turno, mas disputa acirrada define adversário entre esquerdista e ultraconservador

A eleição presidencial no Peru segue em suspense, com a contagem de votos definindo apenas um dos dois finalistas para o segundo turno. A direitista Keiko Fujimori, com 17% dos votos, já assegurou sua vaga na disputa final em 7 de junho.

No entanto, a definição do segundo adversário de Fujimori está acirrada. O esquerdista Roberto Sanchéz Palomino e o ultraconservador Rafael Aliaga disputam a outra vaga, separados por menos de 3 mil votos, segundo dados parciais com 93,3% das urnas apuradas.

Essa indefinição reflete a turbulência política vivida pelo Peru nos últimos dez anos, período que já contabilizou oito presidentes. Acompanhe os desdobramentos dessa disputa que pode impactar as relações comerciais e políticas da América Latina, conforme análise do professor Gustavo Menon, da USP. A informação foi divulgada com base em reportagem do portal UOL.

Keiko Fujimori: Herança e Resistência

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, Keiko Fujimori busca a presidência pela quarta vez. Apesar de liderar a apuração com 2,6 milhões de votos, a candidata enfrenta resistência devido à herança política de seu pai, condenado por violações de direitos humanos. Ela já perdeu três eleições presidenciais anteriores no segundo turno.

O antropólogo Salvador Schavelzon, da Unifesp, aponta que a imagem de Fujimori nas províncias é associada à elite e ao neoliberalismo, apesar de um discurso que remete à guerra contra o Sendero Luminoso. Essa dualidade pode limitar seu alcance eleitoral.

Roberto Sanchéz: O Nacionalismo Popular em Disputa

Roberto Sanchéz Palomino, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, surge como uma alternativa de esquerda. Com 1,890 milhão de votos, ele representa um perfil nacionalista-popular, que valoriza símbolos culturais das maiorias rurais e promete reformas.

Entre suas propostas estão a nacionalização de recursos naturais, uma nova constituinte e mais direitos trabalhistas. Sanchéz, que foi ministro do Comércio Exterior e Turismo, defende o Porto de Chancay, construído com investimentos chineses. No entanto, Schavelzon alerta que Sanchéz, apesar de seu discurso voltado ao povo, transita nos jogos partidários do Congresso peruano.

Rafael Aliaga: O Ultraconservador Estilo Trump

Rafael Aliaga, autointitulado ultraconservador, figura na disputa pelo segundo turno com 1,877 milhão de votos. O ex-prefeito de Lima é comparado a Donald Trump e Javier Milei por sua defesa radical do livre mercado e discurso conservador.

Aliaga passou a denunciar fraude eleitoral após ser ultrapassado por Sanchéz na apuração, especialmente com a contagem de votos rurais. Contudo, a Missão da União Europeia que fiscaliza as eleições não apresentou indícios de fraude até o momento.

Instabilidade Política e Desafios de Governabilidade

O Peru enfrenta uma crise política crônica, com nove presidentes em dez anos. A instabilidade é marcada por renúncias e destituições, como a do ex-presidente Pedro Castillo, preso após tentar dissolver o Congresso.

A vice Dina Boluarte assumiu e reprimiu violentamente manifestações, resultando em mortes. Sua baixa aprovação a levou à destituição pelo Congresso, gerando uma sucessão de gestões interinas. Independentemente de quem vença o segundo turno, a governabilidade no Peru permanece um desafio, dada a pulverização de partidos e a forte influência do parlamento.

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