Domingo, 02 de Agosto de 2026 às 10:14
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Direção de Cinema no Brasil: Mulheres Lutam por Espaço em um Setor Dominado por Homens, Apesar da Maior Formação

Participação feminina na direção de filmes no Brasil é alarmante, com menos de 20% dos cargos de liderança ocupados por mulheres, segundo dados recentes.

Apesar de as mulheres representarem a maioria dos formandos em cursos audiovisuais, o cinema brasileiro ainda se mostra uma ‘zona de resistência’ para a ascensão feminina em posições de comando. A disparidade é gritante, com a participação feminina na direção e roteiro de longas-metragens longe de alcançar a paridade com os homens.

A produtora de cinema Minom Pinho, uma voz ativa na luta por igualdade no setor, destaca a urgência de políticas públicas eficazes para reverter esse quadro. Segundo ela, a falta de representatividade feminina em cargos de liderança não se deve à falta de competência, mas sim a barreiras estruturais e estereótipos arraigados na indústria.

Dados do Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024, compilados pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA) e divulgados pela Ancine, pintam um cenário preocupante. Enquanto a exibiçã o e a distribuição de filmes já contam com maioria feminina, a direção de séries e filmes brasileiros ainda é majoritariamente masculina. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil.

Metas claras e políticas públicas são essenciais para a equidade

Minom Pinho defende a implementação de metas claras e indutores de mudança para impulsionar a participação feminina. Ela sugere, por exemplo, estabelecer um percentual mínimo de mulheres em roteiro e direção de longas-metragens, visando atingir 30% até 2030. “As grandes mudanças se fazem com política pública”, afirma a diretora, ressaltando que o cinema é um setor de ‘resistência muito grande’.

A produtora aponta que, apesar de terem acesso a apenas 20% dos cargos de liderança, as mulheres já conquistam 44% do mercado. Isso demonstra uma capacidade excepcional e resiliência diante de um cenário adverso. “Elas estão fazendo muito com a pior situação possível”, enfatiza Minom, defendendo a necessidade de equidade nos próximos 10 anos.

Estatísticas revelam o abismo na representatividade

O Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024 revela que, em 2023, 231 longas-metragens brasileiros foram dirigidos exclusivamente por homens, enquanto apenas 52 foram realizados por mulheres. No quesito roteiro, a disparidade se mantém, com 165 produções masculinas contra 41 femininas.

Por outro lado, as mulheres se destacam em áreas como direção de arte (99 contra 57) e produção-executiva (110 contra 66). Minom Pinho critica a visão estereotipada que associa essas áreas ao universo feminino, argumentando que “a arte é coisa de mulher” é um preconceito absurdo e que a direção de filmes precisa urgentemente crescer.

Protagonismo feminino e a construção de redes de apoio

Durante o festival Bonito CineSur, uma mesa de debates sobre o protagonismo feminino no cinema sul-americano reuniu profissionais como a atriz chilena Paulina Garcia e Gabriela Sandoval, diretora e produtora do Festival Internacional de Cinema de Santiago (Sanfic). Garcia defendeu a necessidade de mais histórias contadas e interpretadas por mulheres, com narrativas mais complexas e que retratem a diversidade de suas experiências.

Sandoval enfatizou a importância da união e da construção de redes entre as mulheres do continente para fortalecer sua presença nas produções cinematográficas. “O espaço de decisão é uma responsabilidade e abre caminhos para que se contem outras histórias”, concluiu, combatendo a visão negativa frequentemente associada ao poder feminino.

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