Quarta-feira, 12 de Agosto de 2026 às 07:49
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Dias de Futebol: Agressões Domésticas Contra Mulheres Disparam 28,9% Em Jogos da Série A, Copa Libertadores e Sul-Americana

Futebol e Violência Doméstica: Um Alerta Urgente para a Segurança das Mulheres

Dias de jogos de futebol se tornaram um fator de risco comprovado para a violência doméstica contra mulheres, com um aumento significativo nos registros de agressão. O alerta vem da segunda edição do estudo “Futebol e violência contra a mulher”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

A pesquisa aponta que, em dias de partidas importantes, as lesões corporais dolosas decorrentes de violência doméstica contra mulheres cresceram impressionantes 28,9%. Além disso, os casos de ameaça contra elas também apresentaram alta, chegando a 27,4%.

Os dados são preocupantes e exigem atenção imediata das autoridades e da sociedade. O estudo, que analisou ocorrências em cinco capitais brasileiras, oferece um panorama claro de um problema que precisa ser enfrentado com urgência e novas estratégias de segurança.

Jovens Mulheres São as Mais Impactadas Pelos Aumentos

O impacto da violência doméstica em dias de futebol é ainda mais severo entre as mulheres mais jovens. De acordo com o levantamento do FBSP, mulheres na faixa etária de 15 a 29 anos são as mais afetadas. Para este grupo, os números são alarmantes, com um aumento de 44,4% tanto em casos de ameaça quanto em lesões corporais dolosas durante os dias de jogos.

Metodologia e Abrangência do Estudo

A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública realizou uma análise minuciosa da relação entre o calendário de jogos da Série A do Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores da América e Copa Sul-Americana e os registros de ocorrências de violência doméstica. O estudo abrangeu o período de 2023 a 2025 em cinco grandes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.

“Os dias de jogo são, hoje, fatores de risco comprovados para a violência doméstica contra mulheres. Mais do que um diagnóstico, esse conhecimento deve guiar o planejamento das forças de segurança — reforçando unidades especializadas como as Delegacias da Mulher e as patrulhas de fiscalização das Medidas Protetivas de Urgência — e engajar os clubes como aliados no enfrentamento ao problema”, avalia Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do FBSP.

Clubes e Torcidas: Aliados Essenciais na Luta Contra a Violência

Juliana Brandão destaca a importância de envolver os clubes de futebol nesse combate. Ela ressalta que os times possuem um enorme poder de influência sobre comportamentos e valores, podendo se tornar agentes de mudança. Em partidas de alta rivalidade, por exemplo, eles têm a oportunidade e a responsabilidade de mobilizar atletas, torcidas e o poder de suas marcas.

O objetivo é desvincular a paixão pelo futebol da violência contra a mulher. “Eles são também instituições com enorme capacidade de influenciar comportamentos e valores”, completa Brandão, enfatizando o papel crucial dos clubes em promover um ambiente mais seguro e respeitoso, dentro e fora dos estádios.

Comparativo Histórico: Uma Tendência Alarmante

O estudo atual segue a mesma metodologia de uma pesquisa anterior do FBSP, divulgada em 2022, que analisou dados de 2015 a 2018. Naquela ocasião, os aumentos já eram significativos: 23,7% em ameaças e 20,8% em lesões corporais dolosas em dias de jogos.

No novo levantamento, esses indicadores saltaram para 27,4% e 28,9%, respectivamente. Isso representa uma elevação de 3,7 pontos percentuais nas ameaças e de 8,1 pontos percentuais nas lesões físicas, evidenciando uma **tendência preocupante e crescente** de **violência doméstica contra mulheres** em dias de futebol.

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