Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026 às 06:52
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Copom Confirma Corte da Selic: Desaceleração Econômica e Inflação em Queda Impulsionam Decisão do Banco Central

Copom explica corte da Selic: entenda os fatores que levaram à redução dos juros no Brasil

A desaceleração da atividade econômica, a moderação da inflação e os efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda foram os principais motivos que levaram o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central a cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A decisão, divulgada nesta terça-feira (22), está detalhada na ata da reunião.

O documento ressalta que os indicadores econômicos apresentaram uma moderação gradual desde o último encontro do Copom. Setores mais sensíveis ao ciclo econômico, apesar de ainda mostrarem resiliência e um mercado de trabalho aquecido, confirmaram a tendência de desaceleração.

A leitura mais recente do Produto Interno Bruto (PIB), referente ao segundo trimestre deste ano, corroborou essa percepção, indicando um movimento mais intenso nas atividades econômicas e nos componentes da demanda mais sensíveis ao nível dos juros. Conforme informação divulgada pelo Banco Central, o Copom reiterou que o “arrefecimento da demanda agregada é elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”.

Inflação em baixa e crédito mais restrito

A ata do Copom também destacou a perda de força da inflação ao consumidor nos últimos meses. Tanto o índice cheio quanto a média das medidas subjacentes apresentaram desaceleração. Em 12 meses, ambos os indicadores passaram a ficar abaixo do limite superior do intervalo de tolerância da meta, embora ainda permaneçam acima do centro da meta de inflação.

Outro fator crucial citado pelo Banco Central foi o comportamento do mercado de crédito. Os dados mais recentes são compatíveis com um quadro de desaceleração do crescimento econômico em um ambiente de política monetária restritiva. A evidência da transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica vem se acumulando gradualmente.

O colegiado enfatizou que os juros elevados têm contribuído de forma determinante para o processo de desinflação. No entanto, ponderou que a inflação continua pressionada pela demanda, o que exige atenção contínua.

Cautela e incertezas internacionais marcam o cenário

Apesar da melhora recente nos indicadores, o Banco Central manteve um diagnóstico cauteloso. A ata aponta que as expectativas de inflação continuam acima da meta em todos os horizontes analisados. Segundo a pesquisa Focus citada no documento, as projeções estão em 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027.

O comitê avaliou que, em um ambiente de expectativas desancoradas, é necessária uma restrição monetária maior e por mais tempo para garantir a convergência da inflação à meta. O documento também ressalta o aumento das incertezas no cenário internacional, com tensões geopolíticas no Oriente Médio e dúvidas sobre a condução da política monetária nas principais economias avançadas.

Fatores que podem influenciar a inflação

Entre os fatores que poderiam contribuir para a redução da inflação, o Banco Central citou a desaceleração mais forte da economia brasileira e mundial, além de uma possível queda nos preços das commodities. O corte de 0,25 ponto percentual na Selic foi considerado compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta.

O Copom ressaltou, porém, que continuará monitorando a evolução do cenário econômico para manter o grau de restrição necessário ao controle da inflação, demonstrando a necessidade de vigilância constante na condução da política monetária.

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