Contas públicas fecham agosto com déficit de R$ 10 bilhões, mas juros e dívida preocupam
O setor público consolidado, que engloba União, estados, municípios e empresas estatais, apresentou um déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto. Este resultado representa uma melhora quando comparado ao mesmo período de 2025, quando o débito alcançou R$ 17,3 bilhões.
Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (30). O déficit primário, que exclui o pagamento de juros da dívida, mostrou que o Governo Central foi o principal responsável pelo resultado negativo, com um déficit de R$ 14,7 bilhões.
Por outro lado, os governos regionais e as empresas estatais registraram superávits, de R$ 2,7 bilhões e R$ 2 bilhões, respectivamente. Apesar da melhora no déficit primário, o aumento significativo nos gastos com juros e a consequente elevação da dívida pública acendem um alerta.
Juros da Dívida Disparam e Impactam Resultado Nominal
Os gastos com juros nominais em agosto somaram impressionantes R$ 105,9 bilhões, um salto considerável em relação aos R$ 74,3 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Segundo o BC, essa elevação foi influenciada pela piora no resultado das operações de swap cambial.
As operações de swap, que antes geravam um ganho de R$ 19,9 bilhões em agosto de 2025, agora resultaram em uma perda de R$ 9,3 bilhões em agosto deste ano. Essa mudança teve um peso direto nas contas públicas.
No acumulado de 12 meses até agosto, as despesas com juros chegaram a R$ 1,182 trilhão, o que equivale a 8,86% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse valor reflete o custo elevado do serviço da dívida para o país.
Déficit Nominal Cresce e Dívida Pública Atinge Níveis Preocupantes
Ao considerar o pagamento de juros, o resultado nominal do setor público em agosto ficou deficitário em R$ 115,9 bilhões. No acumulado de 12 meses, o déficit nominal atingiu R$ 1,264 trilhão, representando 9,48% do PIB.
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) alcançou R$ 9,2 trilhões em agosto, o equivalente a 69,3% do PIB. Este indicador subiu 0,1 ponto percentual no mês, impulsionado principalmente pelos juros nominais e pelo déficit primário.
A Dívida Bruta do Governo Geral, que inclui INSS, governos estaduais e municipais, atingiu R$ 11,1 trilhões, correspondendo a 82,9% do PIB. O percentual aumentou 0,3 ponto em relação a julho, refletindo a incorporação dos juros nominais e os efeitos da variação cambial.
Acumulado do Ano Mostra Pressão nas Contas Públicas
No acumulado de 12 meses encerrados em agosto, o setor público consolidado registra um déficit primário de R$ 82,1 bilhões, o que representa 0,62% do PIB. Embora seja uma melhora em relação ao semestre anterior, a situação fiscal demanda atenção.
O avanço da dívida bruta no ano é de 4,2 pontos percentuais do PIB, evidenciando a pressão constante sobre as finanças públicas. A combinação de gastos com juros elevados e a necessidade de manter o controle do déficit primário são os principais desafios para a economia brasileira.
