Confiança da Indústria Brasileira Completa 14 Meses em Queda Livre: Juros Altos e Incertezas Afundam Otimismo do Setor
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) registrou uma nova queda em fevereiro, marcando o 14º mês consecutivo de retração. O indicador, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), passou de 48,5 para 48,2 pontos, mantendo-se firmemente abaixo da linha de 50 pontos, que delimita a confiança da falta dela no setor industrial.
Este cenário de pessimismo persistente levanta preocupações sobre o futuro da atividade industrial no país. A recente decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, um dos patamares mais elevados do mundo em termos reais, é apontada como um dos principais fatores que influenciam negativamente as expectativas dos empresários.
A pesquisa ouviu 1.103 empresas entre os dias 2 e 6 de fevereiro de 2026. Desse total, 454 são pequenas, 400 médias e 249 grandes indústrias. Conforme informação divulgada pela CNI, o ambiente de juros elevados impacta diretamente o crédito e a visão de futuro dos industriais, gerando um ciclo de apreensão.
Juros Elevados: O Vilão da Confiança Industrial
Larissa Nocko, especialista em políticas e indústria da CNI, explica que o patamar elevado das taxas de juros afeta a atividade industrial de diversas maneiras. Primeiramente, o **encarecimento do crédito** para empresários e consumidores resulta em uma **desaceleração da atividade econômica** como um todo.
Além disso, a política monetária restritiva, caracterizada por juros altos, molda as projeções futuras dos empresários. Diante de um cenário de crédito mais caro e escasso, os industriais tendem a **projetar um enfraquecimento da economia** no médio e longo prazo, o que, consequentemente, impacta suas **previsões de demanda** por produtos e serviços.
Condições Atuais e Expectativas em Declínio
Em fevereiro, ambos os componentes do Icei apresentaram queda. O Índice de Condições Atuais recuou 0,2 ponto, atingindo 43,8 pontos. Isso reflete a percepção dos industriais de que a **economia brasileira e os negócios em particular estão piores** do que há seis meses.
A deterioração nas condições atuais foi impulsionada principalmente por uma **visão mais negativa sobre a situação das próprias empresas**, apesar de uma leve melhora na avaliação do cenário econômico geral. Essa dicotomia sugere que os desafios internos das companhias pesam mais na confiança.
Expectativas Futuras Perdem Força, Apesar de Ainda Positivas
O Índice de Expectativas, que mede as projeções para os próximos seis meses, também mostrou uma leve queda, passando de 50,7 para 50,4 pontos. Embora ainda permaneça acima da linha de 50 pontos, indicando **perspectivas positivas**, a tendência de melhora se enfraqueceu.
A CNI ressalta que essa deterioração nas expectativas ocorre mesmo com uma melhora nas projeções em relação à economia em geral para o mesmo período. Isso indica que, embora o cenário macroeconômico possa apresentar sinais de melhora, as **dificuldades operacionais e financeiras das empresas** continuam a pesar significativamente na confiança do empresariado industrial brasileiro.
