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Carnaval Gera Mais Retorno que Indústria Automotiva: Economista Revela Potencial Oculto da Cultura Brasileira

Economista Ítalo-Americana Mariana Mazzucato Destaca o Poder Transformador do Carnaval e da Cultura no Desenvolvimento Econômico Brasileiro

O Carnaval, maior festa popular do Brasil, revela-se um motor econômico de potência surpreendente. Um estudo aponta que o retorno para a sociedade de cada real investido em cultura e artes, incluindo o Carnaval, é significativamente maior do que em setores industriais tradicionais, como o automobilístico.

A economista Mariana Mazzucato, renomada por suas pesquisas sobre o papel do Estado na economia, visitou o Brasil para aprofundar o entendimento sobre a economia criativa em torno da folia. Ela destaca que o investimento público em artes e cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira.

“O investimento público em artes e cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira tradicional”, afirmou Mazzucato. Ela ressalta que, apesar das evidências claras, governos ainda priorizam setores industriais mais antigos, ignorando o potencial da cultura. Conforme dados da FGV e da ABDI, um real investido em cultura pode retornar R$ 7,59 para a sociedade, enquanto no setor automotivo o retorno é de R$ 3,76.

O Carnaval como Motor da Economia Criativa

Mariana Mazzucato defende que o Carnaval seja o centro de uma plataforma para expandir a economia criativa no Brasil. Este modelo de negócios, baseado no capital intelectual, cultural e na criatividade, tem o potencial de gerar emprego e renda de forma sustentável.

A economista questiona a narrativa de que “não há dinheiro” para investimentos culturais, lembrando que o setor também contribui para a redução da criminalidade e para o bem-estar social. Ela enfatiza os benefícios sociais, de bem-estar e de saúde mental que o Carnaval proporciona a diversas comunidades, muitas delas vulneráveis.

“Mais do que apenas falar da comida, da bebida, dos hotéis e do turismo durante o Carnaval, é o impacto social das habilidades, das escolas, das redes, do valor da coesão social, do senso de identidade e patrimônio”, explicou Mazzucato. Ela visitou Rio de Janeiro e Salvador para estudar a economia por trás das festas.

Investimento em Cultura: Um Retorno Social e Econômico Elevado

A economista lidera uma pesquisa em cooperação com a UNESCO que investiga o papel das artes e da cultura no desenvolvimento econômico de um país. Mazzucato argumenta que o investimento em cultura gera um alto poder multiplicador, envolvendo muitas pessoas e impactando a sociedade de forma ampla.

Ela compara o retorno do investimento em cultura com o da indústria automobilística, afirmando que para cada real investido, o retorno para a economia como um todo é maior na cultura. “O investimento público em artes e cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira tradicional”, reforça.

Mazzucato também aborda a questão dos limites fiscais, comparando a facilidade com que o dinheiro surge para guerras e defesa com a escassez de recursos para áreas como educação, saúde e cultura. Ela defende que metas estratégicas e ousadas, que exigem investimento em diversas áreas, podem catalisar a capacidade produtiva da economia e aumentar o PIB.

Cultura como Ferramenta de Segurança e Inclusão

A economista ressalta o papel das artes e da cultura na segurança pública. Em locais com altos índices de criminalidade, especialmente entre jovens marginalizados, o investimento em atividades culturais pode diminuir a criminalidade ao valorizar o indivíduo.

“Investir em artes, cultura e na economia criativa é uma forma de diminuir a criminalidade. Esse não deve ser o único motivo para investirmos nisso, mas há evidências muito interessantes em nível comunitário de que os benefícios sociais e de bem-estar do investimento em artes e cultura são muito amplos”, pontua.

Mazzucato também critica a seletividade em relação aos subsídios públicos, questionando por que algumas áreas recebem grandes aportes sem o mesmo escrutínio aplicado à cultura. Ela defende que a questão não é se o Estado deve investir em cultura, mas sim como fazê-lo de forma estratégica e orientada a objetivos públicos.

O Futuro da Economia Criativa Brasileira

A economista alerta para a importância de garantir que o dinheiro gerado pelo Carnaval e pela cultura seja reinvestido nas comunidades e no ecossistema que fomenta a criatividade. Ela questiona se os patrocínios estão sendo direcionados de forma a beneficiar quem produz a arte.

“Os brasileiros devem se orgulhar muito disso, mas também devemos sempre lembrar que existem relações de poder. Quem tem acesso? Está se tornando muito comercial? Para onde vai o dinheiro?”, questiona Mazzucato, incentivando uma reflexão sobre a distribuição dos recursos.

Ela compara o Carnaval brasileiro com o de sua região na Itália, destacando a vitalidade e o enraizamento cultural da festa no Brasil. Mazzucato encoraja a visão do Carnaval como um investimento a longo prazo, central para o desenvolvimento de uma economia criativa próspera e inclusiva.

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