Sistema Cantareira sobe para Faixa de Atenção com chuvas de Setembro, permitindo captação de mais água em São Paulo
O principal sistema de abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, o Sistema Cantareira, apresentou uma recuperação notável em seu volume de armazenamento no mês de setembro. Graças a chuvas acima da média, o reservatório deixou a fase de alerta e entrou na faixa de atenção, um indicativo positivo para a segurança hídrica da região.
Essa melhora no nível de água permite que a Sabesp, responsável pela gestão do sistema, aumente a capacidade de captação. A medida atende a critérios estabelecidos por órgãos reguladores e visa garantir o abastecimento contínuo, especialmente após um período de níveis preocupantes.
A evolução do Sistema Cantareira é monitorada de perto pelas agências reguladoras, que definem as faixas de operação e os limites de captação conforme o volume armazenado. A mudança de patamar é um reflexo direto das precipitações registradas, demonstrando a importância do regime de chuvas para a disponibilidade hídrica em São Paulo. Conforme informação divulgada pelas agências reguladoras, o Sistema Cantareira encerrou setembro com 41,1% do seu volume útil.
Mudança de Patamar e Aumento na Captação de Água
Com o volume útil do Sistema Cantareira atingindo 41,1% ao final de setembro, o reservatório oficialmente entra na faixa de atenção. Esta faixa é definida quando o nível de armazenamento se encontra entre 40% e 60%. Anteriormente, no final de agosto, o volume estava em 32,99%, caracterizando a faixa de alerta.
Essa transição autoriza um aumento na quantidade de água que a Sabesp pode captar. De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), a Sabesp agora pode retirar até 31 metros cúbicos por segundo (m³/s) do reservatório. Antes, na faixa de alerta, o limite era de 27 m³/s. Em condições de normalidade, a captação pode chegar a 33 m³/s.
Resolução Conjunta Define Faixas de Operação do Cantareira
A definição das faixas de operação e dos limites de captação de água do Sistema Cantareira segue critérios estabelecidos pela Resolução Conjunta n° 925/2017. Essa resolução foi criada após a crise hídrica de 2014 e 2015 e estabelece cinco faixas de monitoramento:
- Normal: igual ou maior que 60%
- Atenção: igual ou maior que 40% e menor que 60%
- Alerta: maior que 30% e menor que 40%
- Restrição: maior que 20% e menor que 30%
- Especial: menor que 20%
Essas faixas servem como um guia para a gestão dos recursos hídricos, orientando os limites de retirada de água de acordo com o volume disponível, e são acompanhadas diariamente pela ANA e pela SP Águas.
O Sistema Cantareira e sua Importância para São Paulo
O Sistema Cantareira é composto por cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, com um volume útil total de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, o sistema conta com uma interligação entre a represa Jaguari, no Rio Paraíba do Sul, e a Represa Atibainha, aumentando sua capacidade de manobra.
Este complexo hídrico é responsável por abastecer cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo. Além disso, segundo a ANA, o Cantareira contribui para o atendimento de outros usos múltiplos da água, com destaque para o abastecimento da cidade de Campinas e das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Embora os reservatórios estejam em território paulista, parte de suas águas provém de rios de domínio da União, com nascentes e trechos em Minas Gerais.
