Quarta-feira, 15 de Julho de 2026 às 18:43
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Campanha Pede à Fifa Copa do Mundo Sem Refrigerante: “Tirem o Açúcar do Campo” e Protejam a Saúde Global

Campanha Pede à Fifa Copa do Mundo Sem Refrigerante: “Tirem o Açúcar do Campo” e Protejam a Saúde Global

A Copa do Mundo, um evento que cativa bilhões de pessoas ao redor do globo, está sob os holofotes de uma nova campanha que busca reformular suas práticas de patrocínio. A iniciativa, batizada de “Tirem o Refrigerante de Campo”, visa pressionar a Federação Internacional de Futebol (Fifa) a encerrar os contratos de patrocínio com fabricantes de bebidas açucaradas, argumentando que essa associação prejudica a saúde pública.

A campanha destaca a preocupação com o impacto do consumo de refrigerantes na saúde, especialmente entre crianças e adolescentes. A ligação entre bebidas açucaradas e o aumento de doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares é o cerne da argumentação. A iniciativa busca um futuro para o futebol mais alinhado com o bem-estar, longe da influência de produtos que podem gerar sérios problemas de saúde.

Com o apoio de mais de 100 organizações da sociedade civil em diversos países, incluindo entidades brasileiras como o Idec e o Instituto Desiderata, a pressão sobre a Fifa se intensifica. Uma carta aberta foi enviada ao presidente da entidade, Giovanni Infantino, detalhando as preocupações e pedindo uma mudança significativa nas políticas de patrocínio para as próximas edições do torneio. A seguir, detalhamos os argumentos e os dados que impulsionam essa mobilização global.

Preocupações com a Saúde e Estatísticas Alarmantes

A campanha “Tirem o Refrigerante de Campo” baseia sua argumentação em dados científicos que associam o consumo de bebidas açucaradas a graves problemas de saúde. Segundo a iniciativa, cada aumento de 250 mililitros (ml) na ingestão diária dessas bebidas eleva em 12% o risco de obesidade. O risco de desenvolver diabetes tipo 2 sobe para 19%, e a probabilidade de mortalidade por causas cardiovasculares aumenta 13%.

Além disso, a campanha ressalta que o risco de mortalidade por todas as causas cresce 5% com o aumento do consumo. Um refrigerante de 355 ml, por exemplo, já ultrapassa a quantidade diária recomendada de açúcares livres para a maioria de crianças e adolescentes. Esses números evidenciam o impacto negativo que o consumo frequente dessas bebidas pode ter no desenvolvimento e na saúde a longo prazo dos jovens.

O Conceito de “Sportswashing” no Futebol

A carta enviada à Fifa aborda o que os ativistas chamam de “sportswashing”, um termo que descreve a prática de associar marcas a eventos esportivos para melhorar sua imagem pública, muitas vezes mascarando os impactos negativos de seus produtos. A campanha argumenta que a exposição de bilhões de torcedores, incluindo muitas crianças, a campanhas publicitárias que ligam estrelas do futebol a bebidas açucaradas é um exemplo claro dessa estratégia.

“Isso é sportswashing, usar o poder do futebol para normalizar produtos prejudiciais à saúde. O futebol merece mais. Os torcedores merecem mais”, afirma a carta. Renata Couto, diretora executiva do Instituto Desiderata, reforça que essa é uma estratégia de marketing eficaz para fidelizar públicos jovens, moldando hábitos alimentares não saudáveis com consequências a curto, médio e longo prazos. A fidelização precoce é um ponto crucial da estratégia dessas marcas.

Um Apelo por um Legado Mais Saudável no Esporte

A campanha “Tirem o Refrigerante de Campo” busca inspiração em exemplos passados, como a indústria do tabaco, que enfrentou pressões semelhantes e gradualmente deixou de ser aceita como patrocinadora de eventos esportivos. A Fómula 1, por exemplo, reduziu a presença de companhias de tabaco entre seus patrocinadores nas décadas de 1990 e 2000, mostrando que a mudança é possível.

Até o momento, a iniciativa já reuniu cerca de 720 mil assinaturas de apoio. A Fifa não retornou aos pedidos de comentário da Agência Brasil até a conclusão da reportagem. A discussão sobre publicidade no esporte também se estende a outros setores, como as plataformas de apostas digitais, que têm enfrentado restrições e exigências de alertas sobre os riscos de dependência e perda financeira no Brasil.

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