Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026 às 22:04
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Brasil intensifica relações na Ásia: busca parceria plena na Asean e reabertura do mercado tailandês para carne

Brasil mira Sudeste Asiático para fortalecer laços comerciais e diplomáticos, buscando status de parceiro pleno na Asean e reabertura de mercado na Tailândia.

O Brasil está intensificando seus esforços diplomáticos e comerciais no Sudeste Asiático. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, realiza uma visita oficial à região com objetivos claros que vão desde a reabertura do mercado tailandês para a carne brasileira até a busca por um status mais elevado junto à Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

A estratégia brasileira visa diversificar a pauta de exportações e fortalecer a posição do país no cenário internacional, especialmente diante de um contexto global de tarifas e incertezas. A aproximação com a Asean é vista como fundamental para ampliar a influência brasileira no Sul Global.

A viagem do chanceler ocorre em um momento crucial, com expectativas de avanços significativos nas negociações. A cooperação com países asiáticos representa uma oportunidade estratégica, conforme aponta o Itamaraty, que destaca o crescente intercâmbio comercial e a importância de novas parcerias. A meta é consolidar o Brasil como um ator relevante no dinâmico mercado asiático.

Brasil busca status de Parceiro de Diálogo Pleno na Asean

Uma das principais metas da comitiva brasileira é a obtenção do status de Parceiro de Diálogo Pleno junto à Asean. Atualmente, o Brasil detém o status de parceiro de diálogo setorial desde 2022. A conquista do novo patamar permitiria um aprofundamento substancial nas relações com os países membros da associação asiática.

A Asean, composta por Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste, Mianmar, Brunei, Camboja e Laos, representa o quinto principal parceiro comercial do Brasil. Apenas China, União Europeia (UE), Estados Unidos (EUA) e Mercosul superam o bloco em volume de negócios com o Brasil.

Apenas 12 países e blocos possuem o status de parceiro pleno na Asean, nenhum deles da América Latina. A inclusão do Brasil nesse seleto grupo seria um marco histórico e estratégico, abrindo novas avençamentações para cooperação em diversas áreas.

Reabertura do mercado tailandês para carne brasileira é prioridade

Outro objetivo crucial da visita é a negociação para a reabertura do mercado da Tailândia para a carne brasileira. O mercado tailandês foi fechado para o produto brasileiro em 2024, e o Brasil busca reverter essa situação para retomar as exportações.

A expectativa é que, com o aprofundamento das relações e o diálogo direto entre os ministros, a Tailândia reavalie sua posição e permita novamente a entrada da carne bovina brasileira, um dos principais produtos do agronegócio nacional. A segurança alimentar e a cooperação em áreas como ciência e tecnologia também estão na pauta.

Crescimento expressivo do comércio Brasil-Asean

O comércio entre o Brasil e os países da Asean tem apresentado um crescimento notável. Entre 2003 e 2025, o fluxo comercial entre as partes aumentou dez vezes, saltando de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões, com uma taxa média de crescimento anual de 12%. Essa expansão demonstra o potencial e a crescente importância estratégica da região para o Brasil.

Em 2025, as exportações brasileiras para os cinco maiores mercados da Asean (Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia) alcançaram US$ 68,5 bilhões. Esse valor é comparável ao exportado para cinco parceiros tradicionais do G7 (Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França) no mesmo período, evidenciando a relevância asiática.

Diferentemente do comércio com o G7, onde o Brasil registrou um déficit de US$ 36,6 bilhões entre 2023 e 2025, o país obteve um superávit de US$ 36 bilhões com os parceiros da Asean no mesmo período, indicando um saldo comercial positivo e favorável.

Singapura como porta de entrada e exemplo de parceria

A viagem do ministro Mauro Vieira iniciou por Singapura, segundo principal parceiro comercial do Brasil na Ásia e o primeiro na Asean. O fluxo comercial entre os dois países atingiu US$ 10,7 bilhões em 2025, um aumento de 23% em relação a 2024, demonstrando a força dessa relação bilateral.

Em Singapura, Vieira destacou a disposição do Brasil em preencher a lacuna de representação da América Latina e África entre os parceiros plenos da Asean, enfatizando que o país está aberto a todos os atores globais sem a necessidade de exclusões. A parceria de livre comércio entre Mercosul e Singapura, iniciada em agosto de 2025, reforça ainda mais os laços entre a América do Sul e a nação do Sudeste Asiático.

A visita a Singapura também incluiu discussões sobre a agenda geopolítica global e temas ambientais com a ministra do Meio Ambiente do país, Grace Fu. O Brasil busca, com essa aproximação, ampliar sua autonomia e fortalecer a voz do Sul Global no cenário internacional.

Cooperação com a Tailândia em diversas frentes

Na Tailândia, entre os dias 8 e 10 de setembro, o ministro Mauro Vieira se reuniu com empresários e ministros tailandeses, incluindo o Vice-Primeiro-Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sihasak Phuangketkeow. O objetivo foi aprofundar as relações em áreas como comércio, investimentos, ciência, tecnologia, inovação e segurança alimentar.

A cooperação no enfrentamento ao crime organizado internacional, incluindo tráfico de pessoas e fraudes cibernéticas, também foi discutida. O governo tailandês tem oferecido apoio ao Brasil em questões consulares, especialmente no resgate de trabalhadores brasileiros que foram atraídos por promessas de emprego no Sudeste Asiático e acabaram explorados em condições análogas à escravidão.

Em artigo publicado no jornal Bangkok Post, o ministro Vieira ressaltou que, em um mundo marcado por tensões geopolíticas e protecionismo, relações mais próximas entre a América Latina e o Sudeste Asiático podem ampliar a autonomia e dar ao Sul Global uma voz mais forte. O Brasil é o principal parceiro da Tailândia na América Latina e Caribe, com um fluxo comercial de US$ 5,7 bilhões em 2025.

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