Quinta-feira, 23 de Julho de 2026 às 19:04
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Brasil Fora do Mapa da Fome: ONU Revela Avanços, Mas Alerta Sobre Insegurança Alimentar Severa

Brasil mantém-se fora do Mapa da Fome, mas desafios persistem segundo relatório da ONU

O Brasil figura, mais uma vez, fora do Mapa da Fome global, conforme aponta o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026 (SOFI), divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU). O país atingiu a marca ao manter a proporção de sua população subnutrida abaixo de 2,5% no triênio 2023-2025, um parâmetro mundial estabelecido pela FAO.

Esta é a segunda vez consecutiva que o Brasil alcança este feito, repetindo o sucesso de 2013. No entanto, o mesmo relatório aponta que, entre 2020 e 2022, cerca de 3,5% da população brasileira ainda vivenciava a fome.

Os dados foram apresentados em Roma, na sede da FAO, durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da organização. A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, ressaltou a importância dos resultados, afirmando que a fome não é inevitável e que a priorização do combate à pobreza e desigualdade gera avanços concretos.

Avanços e Indicadores do Relatório SOFI 2026

José Graziano da Silva, fundador do Instituto Fome Zero e ex-diretor-geral da FAO, celebrou a notícia, destacando que o indicador de prevalência de subalimentação no Brasil está abaixo de 2,5%. Ele estima que, na prática, a subalimentação no país gire em torno de 0,6% a 0,7%.

O relatório SOFI 2026, elaborado em conjunto pela FAO, FIDA, OMS, PMA e Unicef, utiliza o indicador de Prevalência de Subnutrição (PoU) há mais de 50 anos. O PoU estima a parcela da população que, devido à distribuição de renda e disponibilidade de alimentos, não tem acesso a calorias suficientes para uma vida saudável.

Insegurança Alimentar Severa: Um Alerta Persistente

Apesar dos avanços na redução da fome, o relatório mundial traz um alerta sobre a insegurança alimentar severa no Brasil. Atualmente, 0,6% da população, o que representa cerca de 1,2 milhão de pessoas, vive nessa condição, o menor patamar histórico. Contudo, Graziano enfatiza que esse número ainda é expressivo.

A insegurança alimentar severa, medida pela Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES), indica que essas pessoas podem ter ficado sem alimentos, passado fome e, em casos extremos, passado um dia inteiro ou mais sem comer, colocando sua saúde em grave risco.

A ministra Fernanda Machiaveli defende uma abordagem integrada para combater a fome, que inclua o aumento da renda, o fortalecimento da segurança alimentar com ampliação do acesso a alimentos saudáveis e a substituição de ultraprocessados por produtos frescos.

Insegurança Alimentar Moderada e Grave: Tendência de Queda

Ao analisar a prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave, o Brasil registrou 9,6% da população (20,3 milhões de pessoas) no período de 2023-2025. Este índice representa uma queda significativa em relação aos triênios anteriores, que variaram entre 13,3% e 22,1%.

Graziano ressalta essa redução substancial, mas reitera a necessidade de ações para retirar essas pessoas da vulnerabilidade. A insegurança alimentar moderada, segundo a FIES, implica incertezas na obtenção de alimentos e redução na qualidade ou quantidade consumida devido à falta de recursos.

Custo da Alimentação Saudável e Desafios Futuros

Outro ponto positivo destacado pelo relatório é a queda na proporção de brasileiros que não podem pagar por uma alimentação saudável. Em 2025, esse índice foi de 21,1% (44,8 milhões de pessoas), uma melhora considerável em relação a 2021, quando atingiu 31,1%.

O custo diário de uma alimentação saudável no Brasil, em Paridade do Poder de Compra (PPC), foi de US$ 4,89 em 2025, um valor inferior à média da América do Sul e da América Latina e Caribe. A metodologia PPC ajusta o custo de vida entre países.

A ministra Machiaveli alertou que a instabilidade dos preços dos alimentos é uma ameaça contínua, especialmente para populações vulneráveis. Ela defende mecanismos como investimentos em armazenagem e estoques públicos para estabilizar mercados e garantir o acesso a alimentos essenciais.

Nutrição Infantil e Saúde da Mulher: Indicadores de Atenção

O relatório global aponta avanços lentos na nutrição de mães e crianças, o que pode comprometer as metas internacionais para 2030. No Brasil, contudo, a diversidade alimentar mínima entre crianças de 6 a 23 meses atingiu 63,3% (2,4 milhões de crianças).

Por outro lado, alguns indicadores de alerta permanecem: 8,7% dos bebês nasceram com baixo peso em 2020; apenas 45,8% dos lactentes tiveram aleitamento materno exclusivo em 2024; 3,4% das crianças menores de 5 anos apresentaram emagrecimento acentuado em 2024; 8,9% sofreram atraso no crescimento; e 10,9% estavam acima do peso.

Na população adulta, 30,1% estavam acima do peso em 2024. A anemia em mulheres em idade fértil também é um ponto de atenção, com uma prevalência de 21,3% em 2023 no Brasil.

Fome Mundial: Redução Contínua, Mas Recuperação Desigual

Em escala global, o relatório da FAO indica que a proporção da população mundial em situação de fome diminuiu pelo terceiro ano consecutivo, totalizando cerca de 645 milhões de pessoas em 2025. A Ásia, América Latina e Caribe mostram melhorias, mas a África concentra o maior número absoluto de pessoas famintas.

Apesar da redução, a recuperação é desigual entre os continentes. A África apresenta 309 milhões de pessoas em situação de fome, correspondendo a 20,0% da população regional, enquanto a tendência global é de queda nos índices de fome.

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