Brasil e África do Sul: Uma Parceria Além das Arenas, Fortalecida por Valores Compartilhados e Objetivos Comuns
A semelhança entre Brasil e África do Sul vai muito além das cores verde e amarelo. Embora a seleção sul-africana, os “Bafana Bafana”, compartilhe o uniforme com a brasileira, os dois países possuem uma relação profunda que abrange aspectos socioeconômicos, políticos e uma convergência em pautas internacionais, como a busca pela paz.
A cooperação entre as nações se estende para além do futebol. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, destacou em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a necessidade de ampliar as relações com a América Latina, com foco especial no Brasil. Ambos os países, sendo as maiores economias de seus continentes, buscam intensificar o comércio e a colaboração em setores estratégicos.
Essa aproximação, segundo o pesquisador sênior do INCT, William Gonçalves, tem raízes históricas e um peso moral significativo, especialmente pela experiência da África do Sul em superar o apartheid. Essa trajetória confere ao país uma autoridade para defender a paz e condenar violações de direitos humanos, ecoando o posicionamento histórico do Brasil no cenário mundial. Conforme informação divulgada pela Agência Brasil, o intercâmbio anual entre Brasil e África do Sul está estagnado em US$ 2,3 bilhões, um valor que ambos os líderes acreditam poder ser significativamente ampliado.
Cooperação Econômica e de Defesa: Um Futuro de Parcerias Estratégicas
A visão de Cyril Ramaphosa é clara: Brasil e África do Sul devem cooperar em um nível muito mais elevado. Ele enfatiza a necessidade de fortalecer o comércio bilateral, atualmente em torno de US$ 2,3 bilhões, um valor considerado aquém do potencial, segundo Lula. Os setores de agricultura, pecuária, energia, mineração e defesa são apontados como áreas promissoras para essa colaboração.
O Brasil exporta principalmente carnes de aves, açúcar e veículos para a África do Sul, enquanto importa prata, platina e outros minerais. Acordos recentes visam impulsionar o turismo, aumentar a conectividade aérea e promover destinos em ambos os países. Parcerias técnicas em agropecuária, focadas no enfrentamento de doenças como a febre aftosa e no aprimoramento da vigilância sanitária animal, também fortalecem essa relação.
Autoridade Moral e a Busca pela Paz Global
A experiência da África do Sul com o apartheid confere ao país uma autoridade moral única em discussões sobre direitos humanos e conflitos internacionais. Essa vivência, segundo o professor William Gonçalves, permite que a África do Sul se posicione com força contra agressões e violações da Carta das Nações Unidas, como as observadas no Oriente Médio. A nação africana, que enfrentou um regime de segregação racial por décadas, entende a importância da justiça e da dignidade humana.
A criação das Regras Nelson Mandela em 2015, que proíbem a tortura e asseguram julgamento justo, é um reflexo desse compromisso. Esses princípios, segundo denúncias de entidades de direitos humanos, são violados em prisões israelenses contra detentos palestinos. O Brasil, por sua vez, teve um papel histórico ao pressionar pelo fim do apartheid nos anos 1970, congelando relações diplomáticas e comerciais com Pretória.
Fortalecimento da Democracia e Desenvolvimento no Sul Global
Desde a transição para um regime democrático liderado por Nelson Mandela nos anos 1990, a África do Sul tem experimentado avanços significativos, como o crescimento do PIB e a queda do desemprego e da inflação, embora as desigualdades persistam. A nação africana, como principal economia do continente, reaproximou-se do Brasil nos anos 2000, visando a construção de uma aliança para o desenvolvimento no sul global.
Ambos os países compartilham a luta pelo desenvolvimento, a consolidação de suas democracias e a busca por um papel de maior influência no cenário mundial. A cooperação em saúde, combate à pobreza, ao HIV-AIDS, contra o racismo e pelo desenvolvimento sustentável reforça essa parceria. Na COP de 2025, o Brasil contou com o apoio sul-africano para a criação do Fundo de Florestas Tropicais, evidenciando valores compartilhados como a defesa da soberania e independência dos países.
