Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026 às 05:51
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Brasil assume presidência da Zona de Paz do Atlântico Sul: O que muda na diplomacia e cooperação regional?

Brasil assume comando da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul em momento crucial para a diplomacia regional.

Nos dias 8 e 9 de abril, o Rio de Janeiro será palco da 9ª Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas). O evento marca a assunção do Brasil à presidência do bloco, um mecanismo diplomático criado em 1986 pelas Nações Unidas.

A Zopacas, que reúne 24 países banhados pelo Atlântico Sul, tem como objetivo principal manter a região livre de armas nucleares e de destruição em massa. Agora, sob a liderança brasileira, a expectativa é impulsionar a cooperação entre os membros.

Conforme informações divulgadas pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil sucede Cabo Verde na presidência, cargo que será exercido por dois ou três anos. A meta é explorar o potencial de cooperação que, segundo o embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, ainda não foi totalmente desenvolvido.

Três documentos chave para o futuro da Zopacas

Durante a reunião ministerial no Rio de Janeiro, os países membros deverão assinar três documentos importantes. O primeiro é uma convenção voltada para a proteção do **ambiente marinho**. Este acordo visa estabelecer diretrizes para a preservação dos ecossistemas do Atlântico Sul, uma área de grande importância ecológica e econômica para os países participantes.

O segundo documento a ser firmado é uma **estratégia de cooperação**. Esta estratégia definirá três áreas principais de atuação, que por sua vez serão subdivididas em 14 áreas temáticas específicas. O objetivo é criar um roteiro claro para as ações conjuntas nos próximos anos, promovendo um intercâmbio mais efetivo entre as nações.

Por fim, será apresentada a **Declaração do Rio de Janeiro**. Este documento de caráter político, segundo o embaixador Carlos Bicalho, não trará referências diretas a conflitos atuais como os do Oriente Médio ou Leste Europeu. A intenção é focar na reafirmação da região como um espaço de paz e segurança, sem interferências externas.

Foco na paz e na segurança regional

O embaixador Carlos Bicalho destacou que, apesar de ser uma declaração política, a Declaração do Rio de Janeiro reforçará o compromisso dos países da Zopacas em manter a região **livre de conflitos bélicos**. A ideia é **evitar que potências externas tragam seus problemas e disputas para a área**, garantindo a soberania e a tranquilidade do Atlântico Sul.

A Zopacas, em seus 40 anos de existência, tem sido um palco para a reafirmação do compromisso com a paz. A presidência brasileira visa, portanto, não apenas manter essa tradição, mas também **intensificar a cooperação prática** entre os países membros, explorando novas frentes de colaboração.

Participação presidencial e expectativas

Há uma expectativa significativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participe do encerramento da Reunião Ministerial da Zopacas no Rio de Janeiro. Sua presença sinalizaria a **importância que o Brasil atribui à Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul** e ao fortalecimento dos laços diplomáticos e econômicos na região.

O Ministério das Relações Exteriores vê a presidência brasileira como uma oportunidade única para **impulsionar a agenda de cooperação**, abordando temas como segurança marítima, desenvolvimento sustentável e intercâmbio cultural. A expectativa é que os próximos anos sejam de **avanços concretos** para a Zopacas.

O que é a Zopacas?

A Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas) foi estabelecida pela Resolução 41/11 da Assembleia Geral da ONU em 1986. O objetivo primordial era promover a paz, a segurança e a cooperação entre os Estados da bacia do Atlântico Sul, além de **declarar a região como uma zona livre de armas nucleares e de destruição em massa**. A zona compreende a costa oeste da África, do Senegal à África do Sul, e a costa leste da América do Sul, incluindo Brasil, Argentina e Uruguai, entre outros.

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