Terça-feira, 20 de Outubro de 2026 às 20:43
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Brasil Abre Cotas para Exportar Carne, Mel e Milho com Tarifa Reduzida para Noruega a Partir de Novembro de 2026

Novas Oportunidades para o Agronegócio Brasileiro na Europa

O Brasil deu um passo significativo para expandir suas exportações para a Noruega, definindo as regras para empresas que desejam aproveitar as cotas tarifárias com benefícios. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), publicou a regulamentação que detalha o acesso a essas vantagens, com início previsto para 1º de novembro de 2026. Este movimento visa fortalecer o agronegócio nacional, abrindo portas para produtos como carne bovina, aves, mel, milho e maçãs no mercado norueguês.

As cotas tarifárias funcionam como um limite de quantidade para exportações, permitindo que produtos selecionados sejam comercializados com tarifas de importação reduzidas ou condições mais favoráveis no país de destino. A medida é um reflexo direto do acordo comercial entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que busca reduzir barreiras e ampliar o intercâmbio comercial entre os blocos. A Noruega, membro da EFTA, será um dos primeiros mercados a implementar essas novas regras para o Brasil.

A regulamentação publicada pela Secex detalha o processo de solicitação e as exigências para que as empresas brasileiras possam usufruir dessas condições preferenciais. O objetivo é tornar o acesso mais transparente e eficiente, garantindo que os benefícios cheguem efetivamente aos exportadores. A entrada em vigor dessas cotas representa uma oportunidade estratégica para diversificar mercados e aumentar o volume de exportações brasileiras, consolidando a posição do país no cenário de comércio internacional. As informações foram divulgadas pela Secex.

Produtos Estratégicos Contemplados pelas Novas Cotas

A lista de produtos que poderão ser exportados para a Noruega sob as novas cotas tarifárias inclui itens de grande relevância para o agronegócio brasileiro. Entre eles, destacam-se a carne bovina e a carne de aves, juntamente com suas respectivas preparações. O mel natural também figura entre os beneficiados, um setor onde o Brasil tem potencial de crescimento. Além disso, produtos agrícolas como batatas e maçãs frescas, trigo duro e milho, e melaço de cana terão acesso facilitado ao mercado norueguês. Complementando a lista, estão o suco de maçã, a farinha de soja e até mesmo cavalos vivos, demonstrando a amplitude do acordo para diversos segmentos produtivos.

Como Solicitar o Acesso às Cotas Tarifárias

O processo para que as empresas brasileiras possam acessar os benefícios das cotas tarifárias para exportação à Noruega será inteiramente digital, realizado através do Portal Único Siscomex. Este sistema unificado do governo federal é a porta de entrada para a gestão das operações de comércio exterior. A prioridade no atendimento dos pedidos será baseada na ordem de chegada, o que significa que as empresas devem se organizar para submeter suas solicitações o mais cedo possível, uma vez que o mecanismo de distribuição prévia entre os países do Mercosul não será aplicado em 2026.

O procedimento envolve o registro de um pedido de licença no módulo de Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCO) do Siscomex. Após a submissão, a Secex realizará a verificação do saldo disponível na cota solicitada. Caso haja quantidade suficiente, o volume será reservado e a licença aprovada, dando à empresa um prazo de até 60 dias para efetivar a exportação, vinculando a licença à Declaração Única de Exportação (DUE). Após o desembaraço aduaneiro, será emitido o Certificado de Autorização de Cotas Mercosul, documento essencial para aplicar o benefício tarifário na Noruega.

Entendendo o Acordo Mercosul-EFTA e Seus Impactos

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA, assinado em 2025 e promulgado pelo Brasil em setembro deste ano, representa um marco nas relações comerciais entre os blocos. A EFTA é composta pela Noruega, Islândia, Suíça e Liechtenstein, países com economias desenvolvidas e mercados importantes. O objetivo central do acordo é a eliminação ou redução significativa de barreiras comerciais, facilitando o fluxo de bens e serviços e promovendo um ambiente mais favorável para os negócios internacionais.

A implementação do acordo ocorre de forma gradual e depende da conclusão dos procedimentos internos de cada país. Para o Brasil, as regras comerciais já entraram em vigor com a Islândia em 1º de outubro de 2026, e com a Noruega em 1º de novembro de 2026. É importante notar que a Suíça e Liechtenstein ainda estão em processo de ratificação nacional. Conforme informações do MDIC, a Islândia não abriu cotas para exportações do Mercosul, o que direciona o foco desta regulamentação específica para a Noruega.

O impacto econômico do acordo é substancial. A EFTA se comprometeu a eliminar 100% das tarifas de importação para os setores industrial e pesqueiro já na entrada em vigor do acordo. No que tange aos setores agrícola e industrial, o acordo prevê que 99,8% do valor das exportações brasileiras para a Noruega estarão incluídos no regime de livre comércio. Para o Brasil, aproximadamente 97% do comércio com a EFTA será liberalizado, com outros 1,2% sujeitos a reduções parciais de tarifas, incluindo mecanismos como as cotas tarifárias agora detalhadas. Para produtos com tarifas de redução gradual, os prazos podem se estender por até 15 anos, refletindo o compromisso de longo prazo com a liberalização comercial.

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