Domingo, 11 de Outubro de 2026 às 09:09
ADVERTISEMENT

Agressões Políticas de Gênero Disparam em Mês de Luta Contra Violência à Mulher: Mulheres Pretas e Pardas São as Principais Vítimas

Violência Política de Gênero Cresce Alarmantemente no Brasil, Atingindo Duramente Mulheres

Organizações sociais e fontes governamentais registram um aumento preocupante de agressões políticas de gênero em pleno mês de luta contra a violência à mulher. Este cenário alarmante, que se intensifica durante períodos eleitorais, revela a persistência de estruturas misóginas e racistas na sociedade brasileira.

Os dados são claros e alarmantes, indicando que mulheres, especialmente as negras e pardas, são as principais vítimas dessa escalada de violência. O contexto eleitoral de 2026 tem sido palco de um número expressivo de ataques, levantando sérias preocupações sobre a segurança e a participação feminina na política.

A disparada de casos de violência política de gênero, conforme apontam levantamentos recentes, exige uma reflexão profunda sobre os mecanismos de proteção e combate a essas práticas. Acompanhe os detalhes e as estatísticas que pintam um quadro sombrio, mas que também aponta caminhos para denúncia e enfrentamento.

Aumento Expressivo de Casos de Violência Política Contra Mulheres

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam um crescimento assustador de 11 vezes no número de processos relacionados a agressões políticas de gênero entre 2022 e 2026, saltando de 15 para 177. O mês de novembro, dedicado à lembrança do Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, tem sido marcado por um aumento significativo dessas ocorrências.

Um levantamento divulgado pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global aponta que, até o primeiro turno das eleições de 2026, foram registrados 134 casos de violência política durante a campanha, o que equivale a um ataque a cada nove horas. Desses casos, 70 tiveram mulheres como vítimas, representando 52,2% do total.

Quando o foco recai apenas sobre candidatos, dos 102 episódios de violência política, 60 foram direcionados a mulheres, correspondendo a 58,8%. Apesar de representarem cerca de um terço das candidaturas, as mulheres se tornaram alvo em mais da metade dos episódios de violência política, evidenciando uma disparidade alarmante.

Mulheres Pretas e Pardas São as Mais Afetadas pela Violência Política

A Central de Atendimento à Mulher, o Disque 180, registrou entre janeiro e agosto de 2026 um total de 1.564 denúncias de violência política contra mulheres. A análise desses dados revela que as mulheres pretas e pardas são as principais vítimas, sendo responsáveis por mais de 53% das denúncias, com 842 casos.

Seguem as mulheres brancas, que contabilizaram 590 denúncias (37,72%), e outras 132 denúncias (8,44%) impactaram mulheres de outras raças. Essa estatística sublinha a interseccionalidade da violência, onde raça e gênero se somam para agravar a vulnerabilidade.

No final de setembro, organizações da sociedade civil apresentaram ao TSE um documento com diversas denúncias de agressões contra mulheres candidatas nas eleições de 2026. Os casos incluem desde violência física e verbal até ameaças de morte e estupro, demandando ações enérgicas do poder público.

Caso Ana Elisa Ilustra a Gravidade da Violência Política

As ameaças de morte e violência sexual denunciadas pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) exemplificam o cenário de violência política no Brasil durante o pleito de 2026. A parlamentar relatou à Polícia Civil ter recebido mensagens com ataques machistas, racistas e ameaças de estupro, além da exposição de seus dados pessoais.

Diante da gravidade das ameaças, o partido de Ana Elisa providenciou segurança armada para protegê-la. A deputada foi a segunda mais votada em Minas Gerais para o cargo, com 524.219 votos, tornando-se a mulher mais votada na história do estado para a Câmara dos Deputados e a deputada federal mais jovem eleita no Brasil.

Misoginia Estrutural e Feminicídio: Raízes da Violência Política

Sandra Kennedy, secretária Nacional de Articulação Intersetorial e Interfederativa e Participação Política do Ministério das Mulheres, conecta a violência política contra as mulheres a um fenômeno social mais amplo. Ela destaca a exacerbação da misoginia, da violência doméstica e do feminicídio em uma sociedade patriarcal.

“É assustador porque as violências políticas são, no fundo, questões estruturais, sejam elas no limite da ameaça à vida, sejam essas violências cotidianas e veladas que tentam desestimular a participação da mulher na política”, afirma Kennedy. Essa visão reforça a necessidade de combater as raízes culturais e sociais da violência de gênero.

Casos Emblemáticos de Violência Contra Mulheres na Política

A Agência Brasil relembra outros casos que demonstram a gravidade da violência contra mulheres na política, ultrapassando o desestímulo e chegando ao risco real à vida. O assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018, o caso de importunação sexual contra a deputada Isa Penna em 2020, e as falas misóginas do ex-deputado Jair Bolsonaro contra a deputada Maria do Rosário em 2014 são exemplos marcantes.

A retirada da escolta armada da deputada Talíria Petrone, mesmo sob ameaça, e as interrupções sistemáticas e rotulagem de “nervosas” contra as senadoras Simone Tebet e Soraya Thronicke durante a CPI da Covid em 2021, também ilustram a persistência da violência e do assédio contra as mulheres no ambiente político.

Canais de Denúncia e Orientação para Mulheres Vítimas de Violência Política

Mulheres em situação de violência política e qualquer pessoa que tenha conhecimento de tais crimes podem realizar denúncias através de diversos canais institucionais. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 oferece atendimento gratuito, humanizado e sigiloso 24 horas por dia.

Outros canais incluem o WhatsApp (61) 9610-0180, o e-mail central180@mulheres.gov.br, a Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público, a Procuradoria-Geral Eleitoral, a Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Polícia Federal e o Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União (DPU). Em casos de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.

Menu