A revolução argentina: Da desconfiança à glória com a ‘Scaloneta’ e um Messi histórico
A Argentina de Lionel Messi vive um momento de ouro, conquistando títulos e sonhando com o bicampeonato mundial. Mas essa realidade avassaladora é fruto de uma profunda transformação, iniciada em um momento de crise e incerteza. A Copa América de 2019 foi o divisor de águas.
Após a decepcionante campanha na Copa do Mundo de 2018, com crise interna e a saída do técnico Jorge Sampaoli, a AFA mergulhou em um período de indefinição. Lionel Scaloni, então interino, assumiu o comando em meio a muitas críticas, mas com o apoio de jogadores que viram nele a oportunidade de renovação.
A jornada na Copa América de 2019, apesar de não ter resultado em título, foi crucial para solidificar o grupo e a confiança em Scaloni. Foi ali que Lionel Messi, outrora criticado por sua postura em campo, começou a mostrar uma nova faceta, mais vocal e combativa, como revelado pelo jornalista Ariel Senosiain em “Crônicas de Ontem”. A partir desse torneio, conforme apurado pelas fontes, a Argentina embarcou em uma sequência vitoriosa que culminou na conquista da Copa do Mundo de 2022.
O Ponto de Virada: Copa América 2019 e a Ascensão da ‘Scaloneta’
A Copa América de 2019 marcou o início de uma nova era para a seleção argentina. Apenas dez jogadores remanescentes da Copa de 2018 compunham o elenco, abrindo espaço para uma nova geração de talentos como Rodrigo De Paul, Leandro Paredes e Lautaro Martínez, que se tornariam pilares da futura conquista mundial.
Apesar de uma campanha sofrida, com vitórias suadas e uma eliminação para o Brasil na semifinal, o torneio serviu para fortalecer o grupo e a confiança no trabalho de Lionel Scaloni. A postura de Messi nas reclamações após a derrota para o Brasil, onde chegou a falar em “armação” da arbitragem, demonstrou uma mudança significativa em sua liderança.
O terceiro lugar conquistado após vencer o Chile foi um feito modesto, mas o apoio do elenco, especialmente de Messi, garantiu a permanência de Scaloni. O técnico, confiante, projetou um futuro promissor: “Este grupo pode mais e dará muito mais frutos”, declarou na época.
A Transformação de Messi e a ‘Scaloneta’ Imparável
Dois anos depois, em 2021, a Argentina conquistou a Copa América no Brasil, quebrando um jejum de 28 anos sem títulos. Este foi o primeiro troféu de Lionel Messi pela seleção principal, um marco que simbolizou a consolidação da “Scaloneta”, apelido dado à equipe sob o comando de Scaloni.
Essa nova Argentina se caracterizou por um goleiro confiável, Emiliano “Dibu” Martínez, uma defesa sólida com veteranos e novas promessas, e um meio-campo aguerrido que liberou Messi para focar no ataque. A transformação do craque é evidente nos números: até 2018, ele tinha 65 gols em 127 jogos pela Argentina (0,51 por partida) e nenhum título.
De 2019 para cá, Messi disputou 71 jogos, marcou 60 gols (média de 0,84 por partida) e conquistou quatro títulos: duas Copas América (2021 e 2024), a Finalíssima de 2022 e, o mais importante, a Copa do Mundo de 2022.
O Legado de 2022: Mentalidade Vencedora e Confiança Renovada
A Copa do Mundo do Catar solidificou a nova mentalidade argentina. Mesmo após a surpreendente derrota para a Arábia Saudita na estreia, a equipe demonstrou resiliência e união. Messi, que em 2016 havia anunciado sua aposentadoria da seleção, mas retornou, liderou o time com convicção.
“Que o povo confie em nós, não vamos deixá-los decepcionados”, cravou Messi após a derrota inicial. E eles não decepcionaram. A conquista do tricampeonato mundial, em 18 de dezembro de 2022, coroou essa jornada de superação e redenção.
A Argentina, agora uma potência consolidada, mira novos feitos. A campanha vitoriosa na Copa América de 2024 e a busca pelo bicampeonato mundial em 2026 demonstram que a “Scaloneta” e um Messi em sua melhor forma estão longe de parar.
