Quarta-feira, 15 de Julho de 2026 às 19:13
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Brasil Reage a Tarifas “Injustas” dos EUA: Risco de Sobrepreço em US$ 15 Bilhões em Exportações Agita Comércio Bilateral

Brasil chama possíveis novas tarifas dos EUA de “injustas” e busca acordo.

O governo brasileiro voltou a classificar como “injusta” a possível imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A declaração ocorreu durante uma reunião de alto nível nesta terça-feira (14) com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, véspera do prazo final para a decisão da administração de Donald Trump.

Este encontro marca a quinta reunião entre as autoridades dos dois países desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump acordaram a criação de um grupo de trabalho para o diálogo comercial. O objetivo é evitar a adoção de sobretaxas que podem impactar significativamente as exportações brasileiras.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) reiterou que as recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) carecem de fundamento técnico. Conforme informação divulgada pelo Mdic, o governo brasileiro sustenta que as alegações americanas não justificam a criação de novas barreiras comerciais, buscando uma solução diplomática.

Críticas às tarifas propostas e investigação americana

As críticas brasileiras abrangem tanto a proposta de uma sobretaxa de 25% específica para produtos nacionais, quanto uma tarifa adicional de 12,5%. Esta última está ligada a uma investigação sobre trabalho forçado e pode afetar outras 59 economias globalmente. O governo brasileiro considera a aplicação de qualquer sobretaxa como “injusta” e um obstáculo para um acordo bilateral mutuamente benéfico.

A investigação americana, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, acusa o Brasil de práticas prejudiciais aos interesses comerciais dos EUA. As áreas citadas incluem comércio digital, o sistema de pagamentos eletrônicos Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o combate ao desmatamento ilegal.

Negociação em andamento e posição dos EUA

Apesar dos avanços iniciais nas negociações, interlocutores do governo brasileiro observam um endurecimento da posição americana nas últimas semanas. A orientação do presidente Lula é manter o diálogo e buscar uma solução negociada para evitar a imposição das tarifas. A participação de representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência demonstra a seriedade com que o Brasil trata o assunto.

Decisão iminente e impacto econômico

O prazo para a conclusão da investigação e o anúncio da decisão final do governo dos Estados Unidos termina nesta quarta-feira (15). Neste dia, espera-se a divulgação da lista definitiva dos produtos que poderão ser atingidos pelas sobretaxas. As recomendações preliminares já mencionam itens como aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos podem ser afetados. O valor total dessas exportações representa aproximadamente US$ 15 bilhões. Entre os bens potencialmente impactados estão ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico. O Brasil afirma que, caso as sobretaxas sejam implementadas, poderá adotar medidas de resposta.

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