Brasil reage a tarifas dos EUA e vê motivação eleitoral em medida que pode impactar comércio bilateral.
Em meio a intensas negociações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o Brasil adota a visão de que as medidas foram **politizadas**, visando influenciar o contexto eleitoral de 2026, no qual a Casa Branca teria interesse nos resultados.
Ambos os governos seguem em busca de um acordo comercial. O Brasil argumenta que um pacto seria mais benéfico para os países do que a imposição de tarifas extras de 25% sobre uma parcela significativa dos produtos nacionais.
A posição oficial do governo brasileiro foi divulgada pelo Itamaraty no X, onde a medida foi descrita como uma tentativa de **interferência externa na justiça brasileira**. O Ministério das Relações Exteriores reforçou que o Brasil atua por canais oficiais para demonstrar que suas políticas internas não prejudicam o comércio com os Estados Unidos.
Vice-presidente critica tentativa de negociação paralela
O vice-presidente Geraldo Alckmin criticou a iniciativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, de negociar a questão tarifária diretamente com os EUA. Alckmin classificou a ação como um ato de “maus brasileiros que trabalharam contra o Brasil e agora estão tentando remediar o que foi feito”.
Prazo final se aproxima e Brasil aposta em acordo
O dia 15 de julho é o prazo final para a definição sobre a aplicação das tarifas. O governo brasileiro mantém uma agenda de reuniões com representantes da Casa Branca e acredita ser possível, embora desafiador, alcançar um acordo.
Há a percepção de que o governo Trump poderia evitar um acordo que favoreça o Brasil, dada a proximidade das eleições presidenciais brasileiras. Nesse cenário, a negociação transcenderia o âmbito estritamente comercial, considerando que os EUA possuem superávit com o Brasil.
Nova política de segurança nacional de Trump em jogo
A movimentação pode estar inserida na nova política de segurança nacional de Donald Trump, que busca a “proeminência” dos EUA na América Latina como área de influência, afastando outros atores regionais, como a China. Essa política foi detalhada em dezembro de 2025.
Recentemente, Donald Trump compartilhou um artigo que aponta a eleição no Brasil como um dos “grandes testes” para os EUA na América Latina, sugerindo que a saída do presidente Luiz Inácio Lula da Silva favoreceria os interesses da Casa Branca.
Brasil rebate acusações de práticas desleais
A recomendação da USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) para taxar o Brasil baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, alegando práticas “desleais” e ataques ao Pix para favorecer empresas americanas. O Brasil refuta esses argumentos, considerando-os ilegítimos e uma tentativa de ingerência, além de expressar o protecionismo unilateral de Washington.
O governo brasileiro contesta as tarifas adicionais, destacando que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre importações dos EUA é de apenas 2,7%, o que não justificaria a alegação de prejuízo às empresas norte-americanas no mercado brasileiro.
