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Cármen Lúcia: Judiciário busca credibilidade com ética e transparência, não aprovação popular, diz ministra do STF

Cármen Lúcia: Justiça deve priorizar credibilidade e confiança, não popularidade

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, ressaltou a importância da **credibilidade e da confiança** na atuação do Poder Judiciário. Em sua visão, a busca por aprovação popular não deve ser o foco dos magistrados, mas sim a garantia de que as decisões judiciais sejam pautadas pela isenção e pelo estrito cumprimento da lei.

A declaração foi feita durante o evento “A Justiça do Amanhã”, no Rio de Janeiro, que abordou temas cruciais como ética, transparência e eficiência no sistema judiciário brasileiro. A ministra enfatizou que a confiança da sociedade na Justiça se constrói com a certeza de que os juízes agem corretamente, de acordo com seus juramentos e com a Constituição.

“Precisamos estruturar um poder no qual a sociedade confie. Não quero que ela goste, porque é claro que quem perde uma causa não gosta da decisão, menos ainda de quem a proclamou”, afirmou Cármen Lúcia. A ministra completou, dizendo, “O importante é que a pessoa saiba que eu agi de maneira correta de acordo com a lei e que o único compromisso foi cumprir o que eu jurei cumprir há 20 anos no STF: a Constituição, as leis da República”.

Projeto de Código de Ética em Debate

A fala da ministra Cármen Lúcia se alinha ao projeto de um **Código de Ética** para o STF, do qual ela é relatora. A iniciativa, priorizada pelo ministro Edson Fachin, busca estabelecer limites e deveres claros para os magistrados, visando evitar conflitos de interesse e aumentar a transparência. O projeto prevê normas sobre a participação de ministros em eventos e palestras de empresas com processos na Corte, além de regulamentar a atuação de parentes de magistrados em escritórios de advocacia que atuam no tribunal.

Origens e Resistências à Proposta

O debate sobre a necessidade de um código de conduta ganhou força após investigações envolvendo o Banco Master e citações a integrantes do STF. Casos como o do ministro Alexandre de Moraes, que negou contatos com um banqueiro investigado, e o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria de um inquérito sobre fraudes no mesmo banco, devido a um fundo de investimento ligado a ele, evidenciaram a importância de regras claras.

No entanto, a aprovação do projeto de Código de Ética enfrenta **resistências e divergências internas** entre os ministros. Questões como a conveniência política do momento para a votação e a viabilidade prática da fiscalização das novas regras estão em discussão. Há preocupações técnicas, como a obrigatoriedade de divulgar previamente compromissos acadêmicos e agendas de palestras, que podem gerar receios sobre a segurança institucional dos magistrados.

O Futuro da Confiança no Judiciário

A ministra Cármen Lúcia reforça a ideia de que a **reforma do Judiciário** deve se concentrar em fortalecer a confiança da sociedade. Isso implica em garantir que a atuação dos magistrados seja sempre pautada pela imparcialidade e pela aplicação rigorosa da lei, independentemente de agradar ou não às partes envolvidas nos processos. A construção dessa credibilidade é vista como fundamental para a estabilidade democrática.

A busca por uma Justiça mais **transparente e ética** é um caminho contínuo. O projeto de Código de Ética representa um passo importante nesse sentido, buscando aprimorar a conduta dos membros do STF e, por consequência, fortalecer a imagem e a confiança da população no Poder Judiciário como um todo. A evolução das discussões internas definirá os próximos passos para a implementação dessas novas normas.

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