Descubra os Caminhos Históricos de Anchieta em São Paulo: Uma Jornada Pela Formação do Brasil
O Estado de São Paulo guarda vestígios da jornada de José de Anchieta, figura central na colonização e evangelização do Brasil. Em 1560, o padre jesuíta já descrevia a Mata Atlântica em sua “Carta de São Vicente”, um documento que evidencia sua profunda conexão com a terra e seus habitantes.
Em homenagem ao Dia Nacional de Anchieta, celebrado em 9 de junho, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) preparou um roteiro especial. A iniciativa convida a explorar locais que testemunharam a passagem do jesuíta, transformados hoje em importantes pontos turísticos.
Esses destinos oferecem uma imersão na história, permitindo que visitantes e estudiosos conheçam de perto os locais por onde Anchieta transitou, deixando um legado cultural e religioso que perdura até os dias atuais. Conforme informação divulgada pela Setur-SP, esses roteiros celebram a vida e obra de um dos personagens mais importantes da história paulista.
Itanhaém: O Refúgio Poético de Anchieta
A segunda cidade mais antiga do Brasil, Itanhaém, é palco dos “Caminhos de Anchieta”. Este roteiro de seis atrações, entre 1563 e 1595, inclui a impressionante Cama de Anchieta, uma formação rochosa onde o jesuíta compunha seus poemas. O trajeto é complementado pela Passarela de Anchieta, um passadiço suspenso com vista para o mar, o Pocinho de Anchieta, uma estrutura construída por indígenas, os Painéis de Anchieta, mosaicos coloridos, o Monumento a Anchieta na Praça Narciso de Andrade, e a Igreja Matriz de Sant’Anna, que abriga a imagem da Virgem de Anchieta.
Ubatuba: A Poesia Gravada na Areia e a Ilha que Leva Seu Nome
Nas areias de Iperoig, atual Praia do Cruzeiro em Ubatuba, Anchieta compôs um poema monumental dedicado à Virgem Maria, com mais de 5.700 versos. Sem papel, ele memorizava cada linha e as escrevia na areia com seu cajado. Ubatuba, que recebeu Anchieta em 1563, hoje oferece a Praia do Cruzeiro, um local vibrante com calçadão, espaços para esportes, pista de skate e feirinha de artesanato.
A Ilha Anchieta, a segunda maior do litoral paulista, leva o nome do jesuíta em sua homenagem. O local é um paraíso com praias deslumbrantes, vida marinha abundante, trilhas e as ruínas de um antigo presídio, além das belas Praias do Presídio e do Sul. Ubatuba está localizada a 220 km da capital paulista.
Itu: O Encontro com os Indígenas e as Raízes do Barroco Paulista
Anchieta também esteve na aldeia de Maniçoba, às margens do Tietê, na atual Itu. Seu objetivo era catequizar os indígenas, aprender a língua nativa e explorar o território. Itu celebra a memória do padre no Largo do Bom Jesus, hoje Praça Padre Anchieta. Nesta praça, localizava-se a antiga capela de Nossa Senhora da Candelária, que deu origem ao município em 1610.
A Igreja Matriz de Itu, próxima à praça, é um tesouro do barroco paulista, ostentando um altar e um órgão magníficos. A igreja é o coração histórico da cidade, que também abriga o Semáforo Gigante, o Orelhão Gigante, lojas de souvenirs e o Museu Republicano da USP. Itu fica a 96 km da capital.
São Paulo: O Berço da Cidade e as Primeiras Marcas do Jesuíta
A capital paulista é rica em locais que marcam a presença de Anchieta. O Pateo do Collegio, marco zero da cidade, foi fundado em 1554 por Manoel da Nóbrega e Anchieta. A Igreja São José de Anchieta, dentro do Pateo do Collegio, preserva relíquias do santo e exibe a arquitetura do barroco paulista.
O Monumento a Anchieta, uma escultura em bronze de 1954, comemora o quarto centenário da cidade e está localizado na Praça da Sé. O Museu Anchieta, também no Pateo do Collegio, exibe objetos históricos e uma maquete da São Paulo do século XVI, oferecendo um vislumbre da vida na vila.
São Vicente, Guarujá e Bertioga: O Início da Missão Jesuíta no Litoral
Anchieta chegou à Capitania de São Vicente em 1553, ponto de partida para sua missão no Brasil. Em São Vicente, ele aprendeu o tupi e escreveu a primeira gramática indígena da História. No Guarujá, o jesuíta rezou missas e catequizou indígenas na Ermida de Santo Antônio do Guaibê, uma das primeiras igrejas do Brasil, construída com materiais locais como pedras de sambaquis, óleo de baleia e conchas.
Em Bertioga, Anchieta encontrou refúgio no Forte de São João, antes de seguir para suas missões em Ubatuba, no litoral norte. Esses locais históricos continuam a atrair visitantes interessados em conhecer mais sobre a vida e o trabalho de José de Anchieta, um dos fundadores do Brasil.
A Origem de Anchieta: De Tenerife a São Paulo
Nascido em 1534 em Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha, José de Anchieta possuía ascendência judaica sefardita e pertencia a uma família de cristãos-novos. Devido às restrições espanholas, Anchieta mudou-se para Portugal, onde estudou na Universidade de Coimbra. Aos 17 anos, ingressou na Companhia de Jesus.
Em julho de 1553, após dois meses de viagem, Anchieta desembarcou em Salvador, no Brasil. Em outubro do mesmo ano, seguiu para a Capitania de São Vicente, onde participou ativamente da fundação de São Paulo em janeiro de 1554. José de Anchieta faleceu em 1597, no Espírito Santo, deixando um legado imensurável para a história e cultura brasileira.
