Solidariedade boliviana em São Paulo: Ato na Paulista expressa apoio a protestos contra governo e leis controversas
Um ato em solidariedade ao povo boliviano ocorreu na tarde deste domingo (14), em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. A manifestação reuniu bolivianos residentes no Brasil, com o apoio de movimentos sociais e sindicalistas, demonstrando união com as lutas que acontecem no país andino.
O evento teve como objetivo principal expressar apoio aos protestos que tomam conta da Bolívia. A organização destacou que as dificuldades enfrentadas pelo povo boliviano também ressoam entre os brasileiros, reforçando a ideia de que as lutas são interligadas e que a solidariedade é fundamental em momentos de crise.
Conforme informação divulgada pelos organizadores, as manifestações pedem a renúncia do presidente Rodrigo Paz e a revogação da Lei de Estado de Exceção. Esta lei, que tem gerado grande apreensão, autoriza as Forças Armadas a reprimirem protestos, o que é visto como um retrocesso democrático e uma afronta aos direitos civis.
Motivos por trás dos protestos na Bolívia
O governo de Rodrigo Paz tem enfrentado uma onda crescente de manifestações. Diversas categorias, incluindo camponeses, indígenas, professores e mineiros, têm ido às ruas. Os protestos se intensificaram após a promulgação de leis fundiárias que, segundo acusações de camponeses e indígenas, visam prejudicar pequenos agricultores em benefício de grandes empresários do agronegócio.
Além das questões fundiárias, o desabastecimento causado pelos bloqueios em estradas tem sido um fator crítico. A escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos nas cidades afetadas agrava a situação, impactando diretamente a vida da população e gerando insatisfação generalizada.
Críticas ao novo governo e impacto econômico
Rafaela Vilaça, integrante do movimento Feminismo Comunitário de Abya Yala – Tecido Pindorama Brasil, ressaltou as dificuldades econômicas enfrentadas pelos bolivianos. Ela criticou os altos preços e a falta de combustível, além da dificuldade em acessar alimentos, que se tornaram mais caros em comparação com governos anteriores que priorizavam o acesso à alimentação para a população.
“A Bolívia hoje também sofre pelos altos preços e pela falta de combustível. Além disso, os governos anteriores da Bolívia tinham um processo em que os alimentos eram muito acessíveis à população. Hoje, isso já não acontece. Tem falta de alimento e o que tem é muito caro”, explicou Rafaela. A situação reflete um contexto de **descontentamento popular** com as políticas adotadas desde o início do mandato do atual presidente, em dezembro de 2025.
Impacto de decretos e a luta por direitos
Um dos primeiros decretos do novo presidente boliviano, que assumiu após quase 20 anos de hegemonia da esquerda, retirou o subsídio à gasolina. Essa medida foi um dos estopins para as manifestações que aumentaram ao longo do tempo, culminando nas atuais exigências por mudanças políticas e sociais significativas no país.
A luta do povo boliviano, segundo os manifestantes em São Paulo, é pela **defesa dos direitos e por melhores condições de vida**. A solidariedade expressa na Avenida Paulista reforça o vínculo entre os povos e a crença de que a união é uma ferramenta poderosa para a **transformação social** e a busca por justiça.
