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Senado Anula Norma do Conanda Sobre Aborto Legal em Crianças Vítimas de Estupro, Gerando Debate Intenso

Senado Anula Norma do Conanda Sobre Aborto Legal em Crianças Vítimas de Estupro, Gerando Debate Intenso

O plenário do Senado Federal tomou uma decisão significativa nesta terça-feira (2) ao suspender a validade da Resolução nº 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A norma anulada tratava do atendimento humanizado e da garantia de direitos de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, incluindo o direito ao aborto legal em casos de gravidez decorrente de estupro.

A resolução, aprovada pelo Conanda em dezembro de 2024, visava regulamentar procedimentos já previstos na legislação brasileira para situações específicas, como gravidez resultante de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia fetal. A decisão do Senado, através do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 3/2025, de autoria da deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ), agora segue para promulgação.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), relatora do projeto no Senado, celebrou a aprovação em votação simbólica, afirmando que o Senado “corrigiu” a resolução do Conanda. Ela declarou: “Vitória da família. Vitória dos pais. Autonomia e poder familiar garantidos.”. A declaração gerou forte repercussão, com o Conanda emitindo nota de repúdio.

Conanda Rechaça Decisão e Alerta Para Retrocesso na Proteção Infantil

Em resposta à anulação da resolução, o Conanda expressou profunda indignação e classificou a decisão do Senado como um **grave retrocesso na proteção integral de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual**. O conselho enfatizou que a norma não criava novos direitos, mas sim disciplinava procedimentos para garantir direitos já assegurados por lei, como o aborto legal em casos de estupro.

O órgão acusou o parlamento de disseminar uma narrativa falsa e de enfraquecer mecanismos de participação social e instâncias democráticas. O Conanda reiterou que os direitos previstos na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e em tratados internacionais permanecem vigentes, e convocou a rede de proteção à mobilização sob o lema de que não haverá “nenhum passo atrás na proteção da infância”.

Ministra e Sociedade Civil Criticam Ação do Senado

A ministra dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), Janine Mello, criticou a aprovação do projeto pelo Senado, afirmando que a decisão caminha na contramão dos esforços do governo e da sociedade civil na promoção de políticas públicas de proteção infantil. Ela garantiu que o ministério continuará atuando com rigor contra abusadores e exploradores sexuais de crianças.

Organizações da sociedade civil, coordenadoras da campanha “Criança Não é Mãe”, também se manifestaram, rotulando o projeto aprovado como “PDL da Pedofilia”. Elas argumentam que a tramitação acelerada impede um debate qualificado e pode fragilizar a rede de proteção às vítimas de violência sexual. A advogada Letícia Vella, do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, destacou que a resolução não criava novos direitos, mas orientava os serviços públicos para o cumprimento de direitos já garantidos em lei, e que derrubá-la é “produzir desproteção”.

Tramitação Acelerada e Votação no Senado

A tramitação do PDL 3/2025 foi marcada pela urgência. Na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, o parecer favorável da senadora Damares Alves foi aprovado após um pedido de vista de apenas uma hora. No plenário, a relatora solicitou a votação como pauta extra, argumentando a necessidade de “conserto da resolução” por conter “equívocos constitucionais, de ordem jurídica e ultrapassa os limites de um conselho”.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acolheu o pedido e colocou o projeto em votação. A apreciação e votação simbólica duraram menos de dois minutos, resultando na anulação do texto da resolução do Conanda. A mobilização “Criança Não é Mãe” lançou um abaixo-assinado criticando a falta de diálogo e transparência no processo legislativo.

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