USD ... | EUR ... | PETR4 R$ 37,24 ▼ -1,38% | VALE3 R$ 84,82 ▲ 0,59% | ITUB4 R$ 33,50 ▲ 1,12% | B3SA3 R$ 12,40 ▼ -0,45% | BBAS3 R$ 56,90 ▲ 0,22% | IBOV 127.000 pts ▼ -0,80% | BTC R$ 340.000 ▲ 2,00% | JA Money Acompanhe em tempo real
ADVERTISEMENT

Caso Henry Borel: Decisão dos jurados sobre Dr. Jairinho e Monique Medeiros é esperada para esta quinta-feira (4)

Julgamento do Caso Henry Borel chega ao fim, veredito dos jurados é aguardado para esta quinta-feira

O décimo dia do julgamento do Caso Henry, que se tornou o mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foi dedicado nesta quarta-feira (3) aos debates finais entre acusação e defesa. Esta é a etapa crucial que antecede a chegada dos jurados a um veredito sobre o caso.

Os réus, o vereador cassado Dr. Jairinho e sua ex-companheira Monique Medeiros, acompanham atentamente as exposições. A sessão, iniciada pouco antes das 10h30, tem previsão de duração de cerca de dez horas, com a expectativa de uma decisão final para a virada de quarta para quinta-feira (4).

Henry Borel, de apenas 4 anos, morreu em 8 de março de 2021. O laudo cadavérico oficial, emitido pelo Instituto Médico Legal (IML), apontou como causa da morte uma laceração hepática de ação contundente. Conforme informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a acusação sustenta que o garoto sofreu agressões de Jairinho, enquanto Monique teria sido omissa, contribuindo para o desfecho trágico.

Acusação detalha perfil de Jairinho e omissão de Monique

O promotor de Justiça Fabio Vieira dos Santos, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), iniciou os debates apresentando o que considera o perfil “psicopata” de Jairinho, afirmando que ele “agride crianças, tem o prazer em machucar”. A acusação destacou depoimentos de ex-namoradas de Jairinho que confirmaram denúncias de agressão contra crianças.

O MPRJ direcionou mais de dois terços do tempo de fala para a acusação contra Monique Medeiros. O promotor argumentou que ela manteve o relacionamento com Jairinho mesmo após ele demonstrar ciúmes excessivos e agressividade, questionando a alegação dela de nunca ter visto Jairo como um indivíduo abusivo ou perigoso.

Segundo a acusação, Monique não possuía dependência econômica ou filhos com Jairinho, o que facilitaria o término da relação. A banca de acusação enfatizou que “uma mãe não precisa ter certeza [de situação de risco] para proteger”. O promotor relembrou que Henry chegou a comentar com a mãe que havia tomado uma “banda” de Jairinho.

O advogado Cristiano Medina da Rocha, assistente de acusação e representante de Leniel Borel, pai de Henry, refutou a tese de Jairinho de que o menino teria morrido devido a procedimentos de ressuscitação no hospital. “As médicas fizeram de tudo para salvar aquela criança”, afirmou.

Defesa de Monique alega desconhecimento e critica babá

O advogado de Monique Medeiros, Hugo Novais, reiterou a tese de que a mãe não tinha conhecimento das agressões de Jairinho contra Henry, argumentando que Monique “não tinha condições e não teve tempo de enxergar um sinal de SOS do seu filho”.

A advogada Florence Rosa Faria dos Santos rebateu a acusação de que Monique mantinha o relacionamento em troca de “vida de luxo”, indagando ao júri: “Quem se muda para uma vida de luxo para ter um Ecosport financiado?”.

Florence também criticou o delegado Henrique Damasceno, alegando que a investigação policial identificou que a babá de Henry, Thaynã de Oliveira Ferreira, teria omitido para Monique um suposto episódio de agressão de Jairinho contra Henry em 2 de fevereiro. A defesa apresentou depoimentos que indicam que a babá recebeu R$ 100 de Jairinho no dia, valor que ela considerou uma forma de “ficar calada”.

Defesa de Jairinho levanta hipóteses e questiona laudo do IML

O advogado de Dr. Jairinho, Fabiano Lopes, levantou a hipótese de Henry ter sofrido uma lesão quando estava com o pai, Leniel Borel, antes de passar a noite do dia 7 com Monique e Jairinho. A defesa sugeriu que um acidente de carro poderia ter causado a lesão, levando à laceração hepática.

A defesa de Jairinho também levantou suspeitas sobre uma possível articulação entre o pai de Henry e o IML para a elaboração de um laudo que prejudicasse o ex-parlamentar, classificando a ação como um “plano de vingança”.

Outro advogado de Jairinho, Zanone Manuel de Oliveira Júnior, insistiu que não há provas concretas contra seu cliente e pediu aos jurados: “se não tiver convicção, absolvam”. A defesa reiterou que as “bandas” aplicadas por Jairinho na criança eram brincadeiras e considerou “superdimensionamento” a versão da babá sobre agressões.

Jurados definirão o futuro dos réus

Após as falas iniciais das defesas, o júri ainda terá tempo para réplica da acusação e tréplica das defesas. O julgamento, iniciado em 25 de abril, tem prosseguido ininterruptamente, incluindo finais de semana. Os sete jurados, cinco homens e duas mulheres, formarão o Conselho de Sentença, cujos votos sigilosos decidirão o destino de Jairinho e Monique.

Pessoas envolvidas no julgamento acreditam que a juíza Elizabeth Machado Louro, que preside a sessão, pode permitir um descanso para os réus ao final do dia, antes de responderem ao questionário. Assim, a decretação do veredito poderia ocorrer na manhã de quinta-feira, dia de Corpus Christi.

Em caso de condenação, os réus sairão do plenário presos, mas recursos são cabíveis em diversas situações, como nulidade posterior à pronúncia ou se a sentença for contrária à lei ou à decisão dos jurados.

Menu