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Colômbia em Encruzilhada: Eleição Presidencial Define Futuro Político e Relações Internacionais com Três Favoritos

Colômbia elege novo presidente em pleito que definirá alinhamento internacional e políticas de segurança.

A Colômbia, segundo país mais populoso da América do Sul com 53 milhões de habitantes, vai às urnas neste domingo para escolher seu próximo presidente, que comandará o país de 2026 a 2030. A eleição é crucial para definir o futuro político e a orientação internacional da nação caribenha, marcada por décadas de conflitos armados.

Entre os 14 candidatos, três se destacam nas pesquisas e aparecem com maiores chances de chegar ao segundo turno, agendado para 21 de junho. A disputa promete ser acirrada e com desfechos que podem alterar significativamente o cenário geopolítico regional.

A escolha dos colombianos definirá se o país manterá a aproximação com políticas de esquerda, em linha com o atual governo de Gustavo Petro, ou se voltará a estreitar laços com os Estados Unidos, como ocorreu em administrações anteriores. A informação é de Matheus Petrelli, pesquisador no Observatório Político Sul-Americano (OPSA), ligado à UERJ.

Ivan Cepeda: O Legado da Esquerda e a Luta por Direitos Humanos

Ivan Cepeda, filósofo de esquerda e defensor dos direitos humanos, surge como um dos favoritos, sendo apontado como quase certo no segundo turno. Ele é aliado do atual presidente Gustavo Petro, o primeiro chefe de Estado de esquerda na história da Colômbia, que não pode concorrer à reeleição.

Cepeda herda a popularidade de Petro, mas possui uma trajetória política própria, marcada pela denúncia de violações de direitos humanos. Ele é filho do senador Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994, e enfrentou figuras proeminentes da direita colombiana, como o ex-presidente Álvaro Uribe.

Um dos casos emblemáticos em que Cepeda atuou foi o dos “falsos positivos”, que resultaram na morte de cerca de 7,8 mil pessoas entre 2002 e 2008, apresentadas como guerrilheiros caídos em combate. Uribe, ícone da direita, foi condenado em primeira instância por fraude processual e suborno de testemunhas neste caso, embora posteriormente absolvido em segunda instância.

Paloma Valencia: A Voz da Direita Tradicional e o Uribismo

Representando a direita mais tradicional, a senadora Paloma Valencia, do Centro Democrático, é outra forte candidata. Declarada seguidora de Álvaro Uribe, ela sugere até mesmo a nomeação do ex-presidente para o Ministério da Defesa.

Assim como Uribe, Valencia se opôs aos acordos de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2016 e defende um enfrentamento direto às guerrilhas, sem margem para diálogo. Sua candidatura sinaliza a possibilidade de uma retomada do vínculo mais estreito com os Estados Unidos.

Matheus Petrelli destaca que, apesar do surgimento de “outsiders”, o uribismo tem demonstrado uma certa recuperação política, o que fortalece a posição de Valencia na disputa eleitoral.

Abelardo De La Espriella: O “Outsider” da Extrema-Direita

O advogado milionário Abelardo De La Espriella se apresenta como um “outsider”, alguém de fora da política tradicional. Ele admira figuras da extrema-direita latino-americana, como Javier Milei e Nayib Bukele, além de Donald Trump nos Estados Unidos.

De La Espriella deixou uma vida luxuosa na Itália para se candidatar, com uma plataforma focada no aumento da repressão contra a criminalidade. Ele já representou figuras controversas, como Alex Saab, ligado ao governo de Nicolás Maduro, e Jorge Visbal, condenado por nexos com paramilitares.

Petrelli descreve De La Espriella como a personificação do candidato da extrema-direita sul-americana, um perfil que atrai eleitores descontentes com a política convencional, mas cuja representatividade de figuras polêmicas levanta questionamentos.

Paz Total em Xeque: Segurança é o Principal Debate

O tema da segurança pública é central na Colômbia, um país marcado por mais de seis décadas de conflitos armados. A proposta de “paz total” do atual governo, que busca conciliar repressão e negociação com grupos armados, enfrenta desafios significativos.

Recentemente, conflitos entre grupos armados deixaram um rastro de violência e deslocamento. Em fevereiro de 2025, cerca de 52 mil pessoas foram expulsas de suas casas em Catatumbo devido a combates entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e forças estatais.

Às vésperas da votação, um confronto entre dissidências das Farc, que não aderiram ao acordo de paz de 2016, resultou em 52 mortos, segundo informações da Reuters. A forma de lidar com esses conflitos, seja pela via militar ou negociada, divide os candidatos e molda o debate eleitoral.

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