Educação Infantil: Letramento Avança, Mas Matemática Enfrenta Desafios em Redes Municipais, Revela Estudo
Um estudo recente do Itaú Social e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) trouxe à tona um panorama sobre a educação infantil no Brasil. A pesquisa, que ouviu 2.712 redes municipais de ensino, revela que, embora existam avanços significativos em áreas como linguagem e cultura escrita, o letramento matemático ainda enfrenta obstáculos consideráveis.
Enquanto quase metade dos municípios (48%) implementa estratégias de letramento matemático, a presença de práticas voltadas para a linguagem e a cultura escrita é notavelmente maior, alcançando 76% das redes. Essa diferença sinaliza uma prioridade distinta na abordagem pedagógica em diversas localidades do país.
O relatório, divulgado nesta segunda-feira (25), detalha a realidade, os avanços e os gargalos da primeira etapa da educação básica. A pesquisa oferece um diagnóstico importante para a formulação de políticas públicas mais eficazes e equitativas para a primeira infância, conforme informação divulgada pelo Itaú Social e Undime.
Estratégias de Letramento: Linguagem em Vantagem
O estudo indica que as redes municipais de ensino, responsáveis pela educação infantil, dedicam mais esforços e recursos a iniciativas de letramento e experiências com a linguagem. A cultura escrita, por exemplo, está presente em 76% dos municípios pesquisados, demonstrando um alcance expressivo.
Por outro lado, o letramento matemático, embora adotado por 48% das redes, apresenta um avanço menor. Um dado preocupante é que 20% das secretarias municipais de educação afirmam não possuir qualquer tipo de iniciativa voltada para o letramento matemático na educação infantil.
A gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, Sonia Dias, destaca a importância de mecanismos de acompanhamento e apoio técnico para evitar desigualdades. Ela ressalta que as secretarias de educação precisam supervisionar de perto o atendimento oferecido por redes conveniadas, garantindo a uniformidade da qualidade educacional.
Desafios na Rede: Unidades Conveniadas e Currículo
Um ponto de atenção revelado pela pesquisa é que 23% das prefeituras não sabem informar se as unidades conveniadas de pré-escola também adotam as mesmas estratégias de letramento em matemática e linguagem. Essas unidades são parceiras importantes na ampliação do acesso a vagas.
No que diz respeito à organização pedagógica, 63% dos municípios seguem a matriz curricular estadual. No entanto, 34% optam por um currículo próprio, e 2% sequer possuem um currículo definido para a educação infantil. Na pré-escola, 78% adaptaram o Projeto Político-Pedagógico (PPP) às diretrizes vigentes, mas 37% relatam dificuldades nesse processo.
Sonia Dias enfatiza que todas as unidades de educação em um município devem seguir as mesmas diretrizes curriculares, sob supervisão da secretaria de educação, para garantir a coesão pedagógica e evitar disparidades internas.
Transição para o Ensino Fundamental e Infraestrutura
A transição das crianças da pré-escola para o 1º ano do ensino fundamental ainda se mostra um ponto frágil. Cerca de 17% das redes não realizam nenhum planejamento articulado entre essas duas etapas, e 13% não adotam estratégias básicas de transição, como portfólios.
A dificuldade em transitar de um ambiente lúdico para um com maior rotina de conteúdos pode gerar traumas e resistência escolar. Sonia Dias explica que um processo de transição cuidadoso e acolhedor é fundamental para o sucesso contínuo da criança em sua trajetória escolar.
A infraestrutura física inadequada das unidades de ensino lidera os desafios apontados pelos gestores municipais, com 23% das menções. Falta de recursos para manutenção, investimentos escassos e a necessidade de ampliação de vagas em creches são queixas recorrentes.
Inclusão, Diversidade e Formação Continuada
A inclusão de crianças com deficiência e neurodivergências é outro entrave pedagógico, citado por 15% dos gestores. A pesquisa sugere que a expansão do acesso deve ser acompanhada de qualificação dos ambientes, com acessibilidade, materiais adaptados e práticas inclusivas consolidadas.
A falta de formação adequada para professores e gestores, a carência de equipes para ministrar cursos e a baixa adesão às formações continuadas também são desafios significativos. O estudo aponta que 20% das redes não oferecem formação às unidades conveniadas ou oferecem com menor carga horária.
Sonia Dias reforça a necessidade de políticas que garantam formação continuada de qualidade, inclusive para as unidades conveniadas, e que possam corrigir deficiências da formação inicial, especialmente para professores com formação predominantemente a distância (EAD).
