Lula defende educação como chave para soberania e consciência crítica em parceria com a África, alertando contra a extrema direita.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a educação como o principal instrumento para a construção de uma consciência crítica e para o combate às desigualdades. Segundo o presidente, essa visão é vista como uma ameaça pela extrema direita global.
A declaração ocorreu durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, um evento que reúne líderes universitários dos dois continentes. O encontro visa fortalecer a colaboração acadêmica e científica entre Brasil e países africanos.
Lula ressaltou que a educação é fundamental para enfrentar desafios globais, como a fome, as mudanças climáticas e a transição energética. Ele enfatizou que o pensamento crítico, fomentado pela educação, anda de mãos dadas com a luta anticolonial e o combate a todas as formas de discriminação. Conforme informação divulgada pelo Planalto, o presidente defendeu o poder emancipador da educação, afirmando que universidades devem permanecer como bastiões de resistência contra tentativas de cerceamento da liberdade de expressão e do pensamento.
Educação como antídoto contra a dominação e o colonialismo digital
O presidente Lula alertou que a extrema direita busca silenciar professores e estudantes, coibir a diversidade, negar a ciência e censurar as artes. Ele argumentou que, ao transformar salas de aula em instrumentos de dominação, esses grupos temem o poder transformador da educação, que revela a realidade e estimula a reflexão.
Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) foi apontada como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento. No entanto, Lula alertou para o risco do “colonialismo digital”, onde algoritmos nas mãos de poucos podem se tornar instrumentos de dominação. Para ele, é crucial investir em infraestrutura digital e garantir que modelos de linguagem de IA sejam desenvolvidos também nas línguas africanas.
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê linhas de financiamento para cooperação com a África e a América Latina. São US$ 20 milhões para projetos conjuntos e US$ 10 milhões para o uso de infraestruturas brasileiras de IA, visando fomentar a colaboração entre pesquisadores. A informação foi divulgada pelo Planalto.
Fortalecendo parcerias e intercâmbios acadêmicos entre Brasil e África
O secretário-geral da Associação de Universidades Africanas, Olusola Oyewle, destacou o apoio histórico do Brasil às universidades africanas, iniciado durante o primeiro mandato de Lula. Ele ressaltou a necessidade de descolonizar currículos e fortalecer a pesquisa no continente, contando com o apoio de países como o Brasil.
O programa Capes Move África foi apresentado como um marco nessa colaboração, com um investimento previsto de R$ 47,4 milhões. A iniciativa visa trazer 2,6 mil pós-graduandos africanos ao Brasil a partir de 2027, com 1,6 mil bolsas para mestrado sanduíche e 1 mil para doutorado sanduíche. A informação foi confirmada pelo Planalto.
Objetivos estratégicos do Fórum de Reitores Brasil-África
O Fórum de Reitores Brasil-África tem como objetivo consolidar a educação superior como eixo central da relação bilateral, ampliando oportunidades de integração acadêmica, científica e tecnológica. O evento prevê painéis temáticos, reuniões bilaterais e workshops para a construção de novas parcerias.
Espera-se que o Brasil aprofunde intercâmbios com instituições africanas em áreas como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas. Atualmente, o Brasil já possui 235 acordos de cooperação com instituições de ensino superior de 38 países africanos, segundo o Planalto.
