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Galinho de Brasília: Frevo, Futebol e a Paixão que Une Gerações no Carnaval da Capital

O Galinho de Brasília, bloco tradicional que há 34 anos busca manter viva a tradição do frevo pernambucano no carnaval da capital do país, tem, na edição de 2026, um novo desafio: o de resgatar a paixão antiga do brasileiro pelo futebol. Tendo como tema “Galinho na Copa: Frevando rumo ao Hexa”, o bloco, que em outros carnavais chegou a movimentar mais de 100 mil pessoas, foi às ruas da capital federal nesta segunda-feira (16) embalado pela Orquestra Marafreboi, conduzida pelo maestro Fabiano Medeiros, e pela Orquestra do Galinho, que tem à frente o maestro Ronald Albuquerque.

A folia em Brasília ganhou um tempero especial com o desfile do Galinho de Brasília. O bloco, que já se consolidou como um importante reduto do frevo pernambucano na capital federal, completa 34 anos de tradição e, para 2026, traz um tema que promete agitar ainda mais os foliões: o futebol. A iniciativa busca reviver a paixão nacional pelo esporte, conectando-a com a alegria contagiante do frevo.

O tema “Galinho na Copa: Frevando rumo ao Hexa” reflete essa união, celebrando a cultura pernambucana e o amor pelo futebol, que movimenta o Brasil. A festa contou com a energia de duas orquestras renomadas, garantindo a qualidade musical que já é marca registrada do Galinho de Brasília.

A essência do frevo, rico em nuances e exigente em sua execução, é um dos pilares do bloco. Damísia Lima, servidora pública pernambucana, ressalta a importância de manter viva essa tradição. “São muitos os tipos de frevo inventados em Pernambuco. É um ritmo tão rico que não é possível ser tocado por qualquer bandinha. São muitos instrumentos e naipes de metal ricos em contratempos”, explica.

Sotaque, refúgio e tradição pernambucana

Para muitos pernambucanos que vivem em Brasília, o Galinho de Brasília se tornou um “refúgio”, uma forma de manter viva a conexão com suas raízes culturais. Damísia, originária de Olinda, compartilha esse sentimento. “Nós pernambucanos temos muito orgulho de nossa cultura e de nossa música. Meu maior medo era perder meu sotaque. Graças a Deus o mantenho até hoje. Não perco nunca o Galinho de Brasília, porque ele é meu refúgio para aguentar passar o ano longe do Recife”, afirma.

O diretor administrativo do bloco, Sérgio Brasiel, destaca o compromisso em resgatar a “essência do carnaval de Pernambuco” em meio às diversas influências musicais atuais. “Nossa proposta aqui é a de resgatar a essência do carnaval de Pernambuco. E, como 2026 é ano de Copa do Mundo, aproveitamos para trazer de volta a paixão antiga que o brasileiro tem pelo futebol”, declarou.

Brasiel também comentou os desafios organizacionais, como a burocracia que muitas vezes encurta o tempo de planejamento. “O ideal era termos de três a quatro meses para nos dedicar à organização, mas acabamos fazendo isso em apenas 15 dias por conta dessa burocracia. Mas o bom é que deu certo e, depois de toda essa trabalheira, ficamos felizes ao ver a alegria dos nossos foliões”, completou.

Carnaval familiar e seguro em Brasília

A tranquilidade e o ambiente familiar do carnaval em Brasília são pontos altos para os frequentadores. Célia Varejão, professora e fã de carnaval e futebol, elogia a atmosfera. “Adoro as coisas populares, tanto no carnaval como no futebol. São duas coisas que, se deixam de ser populares, perdem sua essência”, disse, lamentando os altos preços em eventos esportivos.

Damísia Lima, inclusive, prefere a segurança e a organização do Galinho de Brasília em comparação ao bloco original pernambucano, o Galo da Madrugada. “Em Pernambuco é gente demais. Acho que, por ter menos gente, o Galinho de Brasília me possibilita curtir mais a festa. Canso menos e, por isso, consigo ficar mais tempo na festa”, argumentou.

O servidor público Benedito Cruz Gomes, 47 anos, acompanha o Galinho de Brasília há 30 anos, demonstrando a força do bloco em unir famílias. “Carnaval é coisa de família, um espaço livre para brincadeiras”, afirmou, orgulhoso de ver suas filhas também curtindo a festa.

34 anos de história e preservação cultural

Fundado em 1992 por pernambucanos radicados no Distrito Federal, o Galinho de Brasília surgiu como uma alternativa para quem não podia viajar para o carnaval de Pernambuco. A iniciativa foi criada em um “contexto econômico adverso”, que impediu muitos nordestinos de curtir a folia em sua terra natal.

A experiência foi tão marcante que, após o carnaval, os foliões fundaram o Grêmio Recreativo da Expressão Nordestina – GREN Galinho de Brasília. O objetivo era claro: preservar e difundir as ricas tradições culturais nordestinas na capital federal, mantendo viva a chama do frevo e da alegria.

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