Senado Cria Comissão para Apurar Fraudes Bilionárias do Banco Master
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal deu um passo decisivo nesta quarta-feira (4) ao instalar uma subcomissão dedicada a investigar as graves acusações contra o Banco Master. O foco é apurar as suspeitas de fraudes bilionárias que teriam ocorrido no mercado financeiro, abalando a confiança de investidores e o sistema como um todo.
Esta nova frente de investigação, apelidada de “Comissão do Banco Master”, conta com 13 membros e será liderada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). A iniciativa surge em meio a um clamor crescente por respostas e transparência, com pedidos de instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) já protocolados.
Renan Calheiros classificou o caso como a “maior fraude bancária da história brasileira”, enfatizando a gravidade e a vasta quantidade de lesados. Ele assegurou que a comissão atuará com rigor, buscando a verdade doa a quem doer, sem retaliações, mas também sem omissões caso se constate culpa. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil.
Poderes e Abrangência da Investigação
A subcomissão terá amplos poderes para conduzir a investigação. Conforme detalhado pelo senador Renan Calheiros, o colegiado poderá solicitar a quebra de sigilos bancários e telefônicos, visitar autoridades, realizar diligências e convocar investigados e testemunhas. A quebra de sigilo, por exemplo, pode ser proposta pela comissão ao plenário do Senado, e se aprovada, terá validade legal.
O objetivo principal da comissão é complementar o trabalho de eventuais CPIs, já que a fiscalização do sistema financeiro é uma competência exclusiva da CAE. O senador destacou que o trabalho será “meramente complementar” e não uma disputa com outras instâncias investigativas.
O Papel do Banco Central e a Tentativa de Compra pelo BRB
Uma das primeiras ações da comissão será reunir-se com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. Renan Calheiros expressou a opinião de que o BC demorou a intervir e liquidar o banco investigado, e que a instituição possui informações cruciais para a elucidação dos fatos. “Ninguém mais do que o Banco Central pode colaborar com as informações”, afirmou Calheiros.
Outro ponto central da investigação será a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB), uma instituição pública. A comissão buscará esclarecer se houve pressões por parte de diretores do Banco Central para que o BRB adquirisse o Master, especialmente considerando que o banco estaria em situação financeira precária.
Pressões Políticas e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC)
O senador Renan Calheiros também acusou lideranças parlamentares de pressionarem o Tribunal de Contas da União (TCU) para reverter a liquidação do Banco Master. Ele mencionou que houve tentativas de chantagem ao TCU e que dirigentes da Câmara dos Deputados teriam tentado votar a elevação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão, como parte dessa pressão. Atualmente, o FGC cobre até R$ 250 mil por investidor.
A pressão sobre o Banco Central para autorizar a compra do Master pelo BRB também foi citada, com o presidente da autarquia tendo sido procurado “várias vezes por essas autoridades”.
CPIs em Andamento e Posição do Governo
Paralelamente à instalação da subcomissão na CAE, há pedidos de CPIs em tramitação. Um pedido de CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) foi protocolado com ampla assinatura de senadores e deputados. A decisão sobre a criação da CPMI cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que ainda não se manifestou.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, informou que o partido apoiará algumas propostas de CPI, mas não a apresentada pela oposição, que, segundo ele, teria o objetivo distorcido de politizar o caso. O governo busca esclarecer todos os fatos relacionados às fraudes do Banco Master, com a expectativa de que “muita coisa vai aparecer” com as investigações.
