Terça-feira, 27 de Outubro de 2026 às 20:38
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Anistia Internacional Denuncia Javier Milei à ONU por Ataques e Ameaças a Jornalistas na Argentina

Anistia Internacional Leva Javier Milei à ONU por Hostilidade à Imprensa

A Anistia Internacional anunciou que apresentará uma denúncia formal contra o presidente da Argentina, Javier Milei, à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A medida ocorre em resposta a declarações consideradas hostis e ameaçadoras por parte do mandatário contra jornalistas que realizaram reportagens investigativas sobre ele e sua gestão.

As ações de Milei foram intensificadas após a Justiça argentina arquivar, em 23 de fevereiro, o caso conhecido como “criptogate”. Esta investigação levantava suspeitas sobre o envolvimento do presidente e de sua irmã, Karina Milei, em supostas irregularidades na criação da criptomoeda $Libra, que ele teria promovido em suas redes sociais.

A organização ressalta que a liberdade de expressão e o direito da sociedade de estarem informados são pilares democráticos que precisam ser protegidos. A atuação da Anistia Internacional visa monitorar e denunciar a deterioração das garantias para o exercício do jornalismo na Argentina, buscando reverter o quadro de crescente hostilidade.

Milei Ataca Jornalistas e Menciona “Queimar na Fogueira”

Em um discurso recente, Javier Milei citou nominalmente os jornalistas Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodrígues, Natalia Volosin e Luis Novaresio. Ele os desqualificou com termos como “empacotados, corruptos, mercenários da mentira e fabricantes seriais de operações”. A declaração mais grave foi a afirmação de que “os que têm que queimar na fogueira são os filhos da p*”.

Posteriormente, em sua rede social X, Milei classificou a cobertura jornalística como uma “tremenda operação política e midiática” com o objetivo de prejudicar sua presidência. Ele também rotulou os jornalistas como “subornados e mercenários da mentira”, reforçando a retórica de confronto.

Anistia Internacional Alerta para Risco à Democracia

Para a Anistia Internacional, as declarações de Milei representam um aprofundamento do assédio à imprensa, colocando em risco a segurança dos profissionais que informam e deteriorando as garantias do debate democrático. A organização considera a expressão “queimar na fogueira” como um evocar de violência extrema, configurando uma “escalada grave e inadmissível na hostilidade presidencial contra a imprensa”.

Mariela Belski, diretora-executiva da ONG na Argentina, destacou que, ao individualizar e estigmatizar jornalistas, o presidente contribui para um clima de intimidação que pode levar a novas agressões. “O cargo que ocupa exige uma responsabilidade reforçada: deve garantir que a imprensa possa investigar e informar com liberdade e segurança”, afirmou Belski.

Histórico de Ataques e Deterioração do Jornalismo na Argentina

A denúncia da Anistia Internacional se baseia em dados preocupantes sobre a liberdade de expressão no país. O Monitoramento da Liberdade de Expressão do Fórum de Jornalismo Argentino registrou 278 casos de ataques contra jornalistas em 2025, um aumento de 55% em relação a 2024 e o maior número desde 2008.

Javier Milei foi identificado como autor de 119 desses episódios, tornando-se o principal agressor individual. O levantamento também aponta 139 casos de discursos estigmatizantes, 20 ações judiciais contra jornalistas e 28 restrições de acesso à informação, evidenciando um cenário de deterioração contínua.

Apoio Internacional e Casos Recentes

A Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa anunciou que se unirá à Anistia Internacional na representação. A Federação Internacional dos Jornalistas (FIP) também repudiou as declarações de Milei, alertando para a construção de um clima de intimidação que põe em risco a integridade dos trabalhadores da imprensa.

Um caso recente que ilustra a tensão foi o impedimento da entrada do jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. na Argentina. Ele teve sua residência permanente cancelada e foi proibido de retornar ao país por cinco anos, após críticas ao governo Milei.

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