Terça-feira, 27 de Outubro de 2026 às 09:33
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Dengue: 3 Milhões de Adolescentes com Vacinação Incompleta Acendem Alerta; El Niño Pode Agravar Cenário

Dengue: Falta de Segunda Dose da Vacina em 3 Milhões de Adolescentes Preocupa Especialistas

Um cenário preocupante se desenha no combate à dengue no Brasil: mais de 3 milhões de adolescentes que receberam a primeira dose da vacina contra a doença ainda não completaram o esquema vacinal. A proteção completa só é alcançada após a aplicação da segunda dose, prevista para três meses depois da primeira.

Essa informação foi apresentada pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, em palestra recente, destacando a necessidade de reforçar a importância da adesão ao calendário vacinal entre os jovens. A preocupação se intensifica com a previsão de aumento de casos devido ao fenômeno El Niño.

O diretor do PNI ressaltou a dificuldade em conscientizar os adolescentes sobre a percepção de risco, especialmente em períodos de baixa incidência da doença. A vacinação ideal ocorre no período intersazonal, garantindo que o indivíduo esteja protegido quando a doença se torna mais prevalente. Os dados foram divulgados na 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações. Conforme informação divulgada pelo diretor do PNI, Eder Gatti.

Vacinados e Doses Distribuídas: Um Panorama da Imunização

No total, mais de 11,8 milhões de doses da vacina contra a dengue já foram administradas em todo o país. Deste montante, 7,6 milhões correspondem à primeira dose e 4,2 milhões à segunda dose. Paralelamente, o PNI informou que quase 4 milhões de doses distribuídas aos municípios ainda não foram aplicadas, o que representa um volume considerável de imunizantes disponíveis.

Gatti lembrou que o verão é tradicionalmente o período de maior incidência de casos de dengue no Brasil. A expectativa é que o fenômeno climático El Niño possa intensificar ainda mais essa temporada, tornando a vacinação completa ainda mais crucial para a população.

A farmacêutica japonesa Takeda, responsável pela vacina Qdenga, possui uma capacidade de produção que ainda não atende a toda a população brasileira. No entanto, o diretor do PNI assegurou que o fornecimento para o público-alvo está garantido, com um contrato que prevê a entrega de 9 milhões de doses este ano e outras 9 milhões em 2027, além das já entregues em 2024 e 2025.

Ampliação da Faixa Etária e a Vacina do Butantan

A vacinação contra a dengue no Brasil iniciou nos municípios mais afetados e já se estende por todo o país, com o público-alvo concentrado em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Essa faixa etária foi escolhida com base em dados de segurança robustos para o intervalo de 4 a 16 anos, mas com maior risco de adoecimento grave entre os 10 e 14 anos.

Gatti mencionou que a ampliação para faixas etárias mais velhas é uma possibilidade e um desejo, mas que exige cautela com questões operacionais, orçamentárias e de segurança. Acompanhar os dados de segurança é uma prioridade contínua para o programa.

Quanto à vacina produzida pelo Instituto Butantan, sua aplicação permanece suspensa. A medida foi tomada após a identificação de três casos de dengue grave em vacinados, com dois óbitos, entre mais de 500 mil pessoas imunizadas. Embora a causalidade direta ainda não esteja confirmada, a coincidência temporal levou o Ministério da Saúde a suspender o uso em junho, aguardando estudos complementares para avaliar o sinal de segurança.

Apesar da suspensão, o diretor do PNI classificou a vacina do Butantan como uma “grande esperança para o país”, destacando seu potencial como tecnologia nacional para vacinar anualmente entre 40 e 60 milhões de pessoas, o que permitiria atingir toda a população elegível em três anos, após a resolução das questões de segurança.

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