Pioneiras do Futebol Feminino Motivam Alunas em Escolas Públicas do Rio de Janeiro
Em uma tarde inspiradora na Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, o campo de futebol foi palco de um minitorneio disputado exclusivamente por garotas. A iniciativa faz parte do programa Pioneiras nas Escolas, que tem como objetivo levar ex-jogadoras da seleção brasileira para compartilhar suas trajetórias e incentivar as jovens estudantes.
Mais de 100 alunas lotaram o auditório para ouvir histórias de superação, motivação e conhecer curiosidades sobre o futebol feminino. As ex-jogadoras Marisa Pires (Caju), Maria Lúcia Lima (Fia) e Marilza Martins (Pelezinha) compartilharam os desafios enfrentados, como o machismo e o preconceito, em uma época em que o esporte para mulheres era proibido.
A proibição do futebol para mulheres vigorou de 1941 a 1979, com base em um decreto-lei que considerava o esporte incompatível com a natureza feminina. Essa realidade surpreende as jovens de hoje, como Nicoly Melo, de 12 anos, que questionou a proibição. O esporte foi regulamentado apenas em 1983, com a primeira participação feminina em competições internacionais ocorrendo anos depois, conforme informações divulgadas pela Agência Brasil.
Histórias de Luta e Conquista no Futebol Feminino
Maria Lúcia Lima, a Fia, de 62 anos, relembrou o forte machismo da época e como usava seu talento para superar o preconceito. “Sempre joguei com menino, tinha talento. Não queria saber de machismo”, disse Fia às alunas. Ela integrou a seleção por cinco anos, foi tricampeã continental e participou da primeira Copa do Mundo e da primeira Olimpíada feminina.
A ex-zagueira Caju, de 60 anos, que esteve na seleção de 1988 a 1999, com 43 jogos e 34 vitórias, compartilhou que ouviu provocações de torcedores dizendo que “mulher não servia para jogar futebol”. Ela enfatizou que essas palavras serviam de combustível para mostrar a habilidade das jogadoras em campo. Atualmente, Caju atua como árbitra de futebol.
O Programa Pioneiras nas Escolas e a Importância da Educação
Coordenado pela ex-jogadora Duda Luizelli, o Pioneiras nas Escolas visa mostrar às jovens a importância de acreditar em seu potencial, sem descuidar dos estudos. Luizelli ressalta que a carreira de atleta é curta e, por isso, a educação é fundamental para garantir um futuro após o esporte. “Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade”, afirmou a bicampeã sul-americana.
O programa conta com o apoio da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. A Escola Municipal Juan Antonio Samaranch é um Ginásio Experimental Olímpico (GEO) desde 2012, com ensino integral e forte incentivo ao esporte. A unidade atende cerca de 600 estudantes de 11 a 15 anos e conta com treinadores em 19 modalidades esportivas, sendo um legado olímpico iniciado na preparação para os Jogos Rio 2016. Atualmente, o Rio de Janeiro possui 12 GEOs.
Preparação para a Copa do Mundo Feminina de 2027
Caroline Guedes, coordenadora de Projetos Integradores da SME, destaca a relevância do Pioneiras nas Escolas na preparação do Rio de Janeiro para sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027. “É muito importante que a gente já esteja se preparando para esse momento e, mais do que isso, se preparando dentro do nosso primeiro ginásio olímpico, que é muito importante para nossa rede”, declarou.
Letícia Pereira, aluna do 9º ano, de 15 anos, considera um privilégio receber as ex-jogadoras. Ela acredita que a experiência em uma escola voltada para o esporte é um passo importante para mostrar às alunas que o esporte pode oferecer um futuro promissor. Letícia já planeja assistir aos jogos da Copa do Mundo Feminina em 2027, demonstrando o impacto positivo da iniciativa.
