FMI reduz projeções de crescimento para América Latina e Caribe, alertando para riscos globais
O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou um relatório pessimista para a América Latina e o Caribe. As projeções de crescimento econômico para a região foram revisadas para baixo, tanto para este ano quanto para o próximo. A análise aponta para um cenário desafiador, onde os benefícios da inteligência artificial, que impulsionam outras economias, chegam de forma limitada à maioria dos países latino-americanos.
A guerra no Oriente Médio intensificou o choque inflacionário global, especialmente no setor de energia. O aumento expressivo nos preços do petróleo Brent pressiona famílias e empresas, elevando os custos de financiamento a níveis não vistos em décadas. Essa conjuntura global, aliada a fatores regionais, molda as novas previsões do FMI para a América Latina.
O relatório destaca que, enquanto o mundo busca se adaptar a essas novas realidades, a América Latina enfrenta dificuldades em mitigar os impactos negativos. A dependência de commodities e a velocidade de adaptação às novas tecnologias são fatores cruciais que diferenciam o desempenho econômico entre as nações. Entenda os detalhes e os impactos para os principais países da região.
Desaceleração Econômica na América Latina, Segundo o FMI
O FMI projetou um crescimento de apenas 2,3% para a América Latina e o Caribe neste ano. Essa estimativa representa uma queda em relação às previsões anteriores, que eram de 2,5% para 2025 e 2,4% para 2026. A projeção para 2027 também foi reduzida, de 2,7% para 2,5%. Essas revisões ocorrem mesmo com o FMI elevando ligeiramente a previsão de crescimento mundial para 3,1% neste ano, impulsionado pela resiliência da economia global e pelo redirecionamento de suprimentos de energia, além de investimentos em inteligência artificial.
Impacto da Guerra e Pouco Benefício da Inteligência Artificial na Região
Na América Latina, o efeito do choque energético, causado pela guerra no Oriente Médio, é complexo. O FMI explica que os ganhos dos exportadores de commodities podem não ser suficientes para compensar as perdas dos importadores de energia. Além disso, a região se beneficia pouco do boom da inteligência artificial, que tem ajudado outras economias a absorverem os choques. A credibilidade das metas de inflação dos bancos centrais também é um fator determinante, mas, segundo o FMI, “há pouca compensação proveniente da recuperação do setor tecnológico na maioria dos países”.
Argentina e Brasil Enfrentam Revisões Negativas nas Projeções
A Argentina sofreu uma das maiores reduções em sua estimativa de produção. O FMI agora espera que o crescimento argentino desacelere para 2,1% neste ano, e 4,5% em 2025, bem abaixo dos 3,5% previstos em julho. Para 2027, a previsão caiu de 4% para 3,5%. A inflação na Argentina deve cair para 32,5% neste ano. Já as previsões para o crescimento do Brasil foram reduzidas para 2,2% neste ano e 1,9% para 2027, ante 2,4% e 2,2% em julho. O FMI cita condições monetárias restritivas, retirada de apoio fiscal e incerteza global como fatores que freiam o crescimento brasileiro.
México em Trajetória Diferente, Mas com Ressalvas
O México apresentou uma trajetória oposta, com sua previsão para 2026 elevada de 1,2% para 1,5%. O Fundo atribui essa melhora às exportações, incluindo as cadeias de suprimentos de IA, e ao investimento que se estabiliza. No entanto, mesmo com essa perspectiva positiva pontual, o FMI reduziu a previsão para o México em 2027, de 1,9% para 1,8%, alertando que incertezas comerciais e outras questões continuarão a frear a atividade econômica.
Riscos Persistem e Afetam Economias Emergentes
O FMI reitera que os riscos para a economia global continuam inclinados para o lado negativo. A turbulência nos mercados financeiros pode impactar as economias emergentes através de custos de endividamento público mais elevados, pressão sobre as moedas locais e condições financeiras mais restritivas. Outros países da região também enfrentam desafios, como o Chile, cuja economia desacelerará de 2,5% para 0,6% neste ano, e a Bolívia, que encolherá 1,6% em 2025. Na Venezuela, a inflação deve acelerar drasticamente, saindo de 252% para 467,9%.
