Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026 às 09:31
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Fifa: 1 em cada 5 ataques virtuais na Copa do Mundo foi racista, revela relatório chocante

Fifa revela dados alarmantes sobre racismo e ódio online durante a Copa do Mundo

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) divulgou um relatório contundente sobre o comportamento em redes sociais durante a Copa do Mundo deste ano. A análise, que abrangeu milhões de publicações, expôs um cenário preocupante de ataques virtuais, com uma parcela significativa deles sendo de cunho racista.

O estudo, realizado entre junho e julho, monitorou plataformas como X (antigo Twitter), Instagram, Facebook e TikTok, focando em contas oficiais de seleções, atletas, treinadores e oficiais de arbitragem. Os resultados apontam para um problema persistente de discriminação e discurso de ódio no ambiente esportivo digital.

Esses achados, divulgados na véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, reforçam a necessidade urgente de combater o racismo e outras formas de preconceito no futebol e na sociedade. A Fifa reafirmou seu compromisso em proteger a comunidade do futebol dessas mensagens nocivas.

Mais de 240 mil publicações ofensivas identificadas

No total, a Fifa analisou mais de 17 milhões de publicações em redes sociais durante o período da Copa do Mundo. Deste montante, cerca de **240.676 postagens foram identificadas como ofensivas**. Essas mensagens foram direcionadas a 812 indivíduos envolvidos no evento, o que significa que mais da metade das pessoas monitoradas, aproximadamente **50,6%**, sofreram algum tipo de ataque online.

Racismo domina os ataques virtuais

O dado mais alarmante do relatório é que **20% de todas as publicações ofensivas foram de cunho racista**. Isso representa uma parcela expressiva do total, destacando a gravidade do racismo no ambiente esportivo digital. Além do racismo, outros tipos de discriminação também foram registrados, como homofobia, sexismo e transfobia.

Um caso específico revelou que um jogador, cujo nome não foi divulgado, foi alvo de mais de 10 mil mensagens abusivas, sendo **40% delas racistas**. Esse atleta também sofreu ataques homofóbicos, sexistas e transfóbicos, que se intensificaram após comentários racistas de uma figura pública serem amplamente compartilhados.

Seleções e jogadores como alvos de discriminação

A análise da Fifa também apontou que a **seleção da França foi a que mais sofreu com ataques, especialmente os de cunho racial (33%)**. Isso se deve, em parte, às discussões sobre a formação multicultural da equipe. A seleção da Inglaterra também enfrentou ofensas racistas e xenofóbicas combinadas, atingindo **21%** das publicações, também ligadas à diversidade de seus jogadores.

O relatório ainda mostrou que **15% das publicações revisadas continham alegações de corrupção**, direcionadas principalmente à própria Fifa. Além disso, **14% eram ameaças violentas**, com um pico registrado após uma partida específica, e **12% das postagens continham ataques xenofóbicos**.

Ações da Fifa contra o discurso de ódio

O serviço de proteção de redes sociais da Fifa utiliza inteligência artificial para identificar e ocultar conteúdos indesejados, protegendo os participantes de suas competições. Durante a Copa, **9,2 milhões de mensagens foram bloqueadas automaticamente** antes mesmo de serem vistas pelo público, representando 15% do total de 60,7 milhões de mensagens veiculadas nas plataformas.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, reforçou o compromisso da entidade em proteger a comunidade do futebol. “Por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental, reafirmamos o compromisso da Fifa de proteger a comunidade do futebol contra mensagens de ódio nas redes, com o apoio de tecnologias de última geração capazes de combater tanto os conteúdos criados por pessoas quanto as imagens geradas por inteligência artificial”, declarou Infantino.

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