Governo Federal Acelera Bloqueio de Sites de Apostas Ilegais e Movimenta Bilhões em Devoluções
Uma ofensiva robusta do governo federal está mudando o cenário das apostas online no Brasil. Desde 25 de setembro, data em que as apostas ilegais foram proibidas, um total de 13.241 sites de apostas ilegais já tiveram o bloqueio solicitado. A ação, que visa reordenar o fluxo financeiro das famílias brasileiras, também inclui a remoção de milhares de páginas e perfis em redes sociais associados a essas atividades.
Essa medida representa uma mudança significativa, tirando do mercado plataformas que operavam à margem da lei. O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que antes da proibição, cerca de R$ 600 a R$ 650 milhões por dia saíam da poupança popular e eram direcionados para essas apostas, um dinheiro que agora deve retornar para o bolso dos cidadãos.
A operação, conforme informado pelo Ministério da Fazenda, está em pleno andamento. Enquanto milhares de sites ilegais são derrubados, o foco agora se volta para a **devolução de valores** retidos nas plataformas que operavam legalmente, mas cujos prazos de encerramento já expiraram. A situação envolve milhões de apostadores e um montante bilionário.
Devolução de Bilhões aos Apostadores
O primeiro dia após o encerramento oficial das operações das plataformas de apostas autorizadas, 6 de fevereiro, revelou que aproximadamente R$ 1,325 bilhão ainda aguardam devolução para cerca de 26,5 milhões de apostadores. Esse valor representa os saldos remanescentes nas contas dos usuários que não foram resgatados voluntariamente até o prazo final.
As empresas do ramo agora têm até esta quarta-feira, 7 de fevereiro, para informar às instituições financeiras os saldos de cada usuário, identificados pelo CPF, e a conta bancária utilizada para os depósitos. O Ministério da Fazenda detalhou que, entre os valores pendentes, há 86,2 milhões de contas com saldos entre R$ 0,01 e R$ 0,99, somando um total de R$ 15,5 milhões. É importante notar que o número de contas é superior ao de apostadores, pois uma única pessoa pode ter cadastro em múltiplas plataformas.
Concentração de Saldos e Investigações
A análise dos dados revelou uma concentração significativa dos valores pendentes. Segundo o Ministro Dario Durigan, cerca de 1% dos apostadores, o equivalente a aproximadamente 200 mil pessoas, detém 80% do saldo total a ser devolvido. Outros 3,4% dos apostadores concentram cerca de 90% desses recursos.
Essa concentração levanta preocupações e direciona o foco do governo para investigações mais aprofundadas. O Ministério da Fazenda identificou cerca de 40 contas com saldos superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão. Essas contas serão submetidas a uma apuração rigorosa para verificar a possível ocorrência de lavagem de dinheiro e eventuais vínculos com organizações criminosas, coexistindo com o processo de devolução de valores e o bloqueio de plataformas ilegais.
Ação Abrangente Contra a Ilegalidade
A iniciativa do governo não se limita apenas aos sites de apostas. A ação de bloqueio e remoção de conteúdo se estende a diversas plataformas digitais. Foram solicitadas a retirada de 9.974 páginas no Facebook, 560 perfis no Instagram, 900 canais e grupos no Telegram, 103 perfis no TikTok, 14 grupos no WhatsApp e 1 servidor no Discord. O alcance estimado dessas páginas e perfis atingia mais de 17 milhões de usuários.
A média de pedidos de bloqueio de sites ilegais desde o início da proibição chega a aproximadamente 1.103 páginas por dia. Dos 188 sites de apostas que possuíam autorização para operar no Brasil até a última segunda-feira, apenas um permanecia em funcionamento nesta terça-feira, com o bloqueio dessa plataforma também já solicitado pelo Ministério da Fazenda. A estratégia do governo é clara: erradicar a atuação de apostas ilegais e garantir a segurança e a transparência para os consumidores.
