Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026 às 07:57
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Trump na ONU: Ameaças Militares na América Latina e a Controvérsia com a Venezuela

Trump na ONU: Ameaças Militares na América Latina e a Controvérsia com a Venezuela

Em um discurso de quase 40 minutos na sede das Nações Unidas, em Nova York, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou sua postura de ameaçar o uso da força militar em países da América Latina e do Caribe. A declaração ocorreu durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, onde Trump buscou reforçar os interesses da Casa Branca na região.

Trump afirmou que as ações americanas na Venezuela demonstram que os EUA não tolerarão mais ameaças à sua segurança no Hemisfério Ocidental. “E, se necessário, usaremos nosso poderio militar inigualável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA”, declarou o presidente americano, em um momento de alta tensão diplomática.

O presidente dos EUA também comentou a situação venezuelana, celebrando um “acordo” petroleiro que, segundo ele, garante o controle de até 21% do petróleo do país a uma empresa ligada ao Pentágono. “Foi uma guerra, mas talvez seja o maior negócio já realizado. Ao vencedor pertencem os espólios”, disse Trump, em referência a um ditado popular. Essas declarações foram feitas após o discurso do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que enfatizou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, defendendo a autonomia dos países latino-americanos.

A Controvérsia sobre a Venezuela e o Combate ao Narcotráfico

O discurso de Trump incluiu menções à invasão promovida contra a Venezuela em janeiro, que, segundo especialistas, foi baseada em alegações de que o país seria um “narcoestado”. Essa narrativa foi contestada, especialmente após a retirada da acusação de que o presidente Nicolás Maduro lideraria o “Cartel de Los Soles” pelo Departamento de Justiça dos EUA. Recentemente, a Venezuela foi retirada da lista de países que não combatem o narcoturismo, onde estava desde 2005.

Comparações com o ISIS e Críticas aos Cartéis

Durante sua intervenção na ONU, Donald Trump comparou os cartéis de drogas da América Latina a organizações terroristas como o ISIS. “Acionei as Forças Armadas dos Estados Unidos para eliminá-los. Os cartéis são o ISIS do Hemisfério Ocidental”, afirmou. Essa analogia tem sido utilizada por secretários de Estado dos EUA para justificar possíveis ações militares na região, o que analistas alertam poder servir de “pretexto” para interferências políticas.

Trump direcionou críticas específicas ao México, apesar de afirmar ter boas relações com o governo de Claudia Sheinbaum. Ele considerou inaceitável que os EUA façam fronteira com um país que é o “epicentro da violência dos cartéis”. “Portanto, o México deve retomar o controle de seu território das mãos dos inimigos da humanidade”, sentenciou o presidente americano, em um momento em que a presidente mexicana tem elevado o tom contra o que considera ingerência dos EUA em assuntos internos.

Posicionamento Brasileiro e a Soberania Regional

Antes da fala de Trump, o presidente Lula abordou a pressão que a América Latina e o Caribe sofrem por sua proximidade com a maior potência militar mundial. “Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais”, declarou Lula, citando intervenções recentes na Venezuela, Haiti e Cuba, reforçando a defesa da soberania e da não interferência nos assuntos internos dos países.

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